Pacto da Montanha firmado no cume do Pico junta jovens na proteção do ecossistema
JMJ
26 de jul. de 2023, 06:00
— Lusa/AO Online
“Nós
como cristãos assumimos esta responsabilidade, não só com o próximo,
mas com o mundo e com o nosso ecossistema. É o respeito pelos seres
vivos, pelo equilíbrio em tudo o que está à nossa volta e assumir a
responsabilidade de cuidar da casa comum”, afirmou à agência Lusa na
cratera do Pico Susana Cabral, porta-voz do grupo.O
Pacto da Montanha foi subscrito no final da eucaristia no topo do Pico,
celebrada pelo Bispo de Angra e Ilhas dos Açores, Armando Esteves
Domingues e que na véspera liderou a subida ao ponto mais alto do país, a
propósito da Jornada Mundial da Juventude (JMJ).Ao
todo, a iniciativa designada “Mais Perto do Céu” juntou 129 pessoas
(dos quais 116 jovens) no ponto mais alto de Portugal, entre jovens,
voluntários da JMJ e outras figuras do clero.Susana
Cabral realçou que o ecossistema “não são apenas as plantas e os
animais”, sendo necessária uma “responsabilidade geral” que resulte num
“maior cuidado na interação entre os seres humanos”.“O
planeta Terra está a gritar por cuidado. Todas as formas, seja através
de um pacto, seja através de acordos, são importantíssimas para que
todos tomem essa consciência. Cada um, em pequenos gestos, tem um papel
muito importante para o futuro do nosso planeta”, vincou a natural da
ilha de Santa Maria.A celebração do
bispo Armando Esteves Domingues decorreu no mesmo local da cratera onde
aconteceu a missa de 1954 (que até hoje era a única liturgia registada
na montanha), tendo sido utilizado o mesmo altar (construído em pedra),
que continua erguido após várias décadas.“Subir
o Pico é um sonho para tanta gente – e também o era para mim. Vencer as
dificuldades, celebrar aqui [na cratera] e assinar um pacto, que é um
pouco como um cheque em branco onde está a nossa vida”, afirmou o bispo
em declarações aos jornalistas, após a cerimónia.Para
Armando Esteves Domingues, o pacto tem um “significado muito simples”:
fazer com que todos se “comprometam com a fraternidade universal” e com a
“criação”.“O homem vive hoje
tremendamente ameaçado por tanto riscos e por tantos perigos, alguns dos
quais vêm do desrespeito pela natureza. Há aquela máxima de que Deus
perdoa sempre, o homem perdoa às vezes, mas a natureza nunca perdoa. O
mal que lhe fizemos pagá-lo-emos”, assinalou.E
concluiu: “Para estes jovens e para esta juventude, este pode ser um
pacto que os motiva para o futuro porque precisamos todos de ser muito
mais proativos”.