Pacote laboral entregue no parlamento "confirma tudo o que é negativo"
Hoje 17:08
— Lusa/AO Online
“Chegou à Assembleia da República a proposta do Governo sobre o pacote
laboral, que confirma tudo. Tudo aquilo que era negativo está confirmado
e reconfirmado, tem muitas coisas más, não há nenhuma alteração para
melhorar a atual lei, tudo o que vem é para piorar: mais precariedade,
mais redução dos horários, mais pressão sob os salários, despedimentos
sem justa causa, está lá tudo”, criticou Paulo Raimundo. O
secretário-geral dos comunistas fazia declarações à agência Lusa depois
de ter almoçado com trabalhadores dos Estaleiros da Câmara Municipal da
Amadora.Raimundo defendeu que os
trabalhadores “precisam de ser valorizados” e que “o país precisa de
tudo menos de pacotes laborais que ainda infernizam mais a vida desta
gente”.Interrogado sobre o facto de Luís
Montenegro, enquanto presidente do PSD que se recandidata ao cargo,
insistir na sua moção de estratégia global que rever a legislação
laboral é “condição para atração de investimento e crescimento da
economia”, Raimundo respondeu que “os compromissos do primeiro-ministro
com o grande patronato são muito grandes”.“Isso
é visível em tudo: é na saúde, na Segurança Social, na habitação e é
também na legislação laboral. Não há almoços grátis”, argumentou.Já
sobre os apelos do presidente do Chega, André Ventura, para que o
Governo faça um esforço de aproximação com o seu partido sobre a reforma
laboral, Paulo Raimundo realçou que “não é o posicionamento deste ou de
outro partido que vai determinar o fim deste processo, muito menos de
partidos cambalhota como o Chega”.“Não há
política direita, não há compromissos com o grande patronato, não há
maioria de direita suficiente na Assembleia da República para impor uma
coisa com a qual a grande maioria dos trabalhadores está contra. E
portanto, não pensem que as suas manobras, as suas cambalhotas, as suas
golpadas, que têm sempre como objetivo pôr o pé em cima das costas de
quem trabalha, podem ter sucesso”, alertou.Questionado
sobre o que espera do Presidente da República, António José Seguro,
caso o diploma seja aprovado no parlamento e chegue até Belém para
promulgação, Paulo Raimundo lembrou a mensagem do chefe de Estado no Dia
do Trabalhador. “Permita-me socorrer-me
da própria mensagem do senhor Presidente no dia 01 de maio quando disse,
resumindo, que o país não vai lá com precariedade. E, portanto, se o
país não vai lá com precariedade, em consciência, alguém que considera
isso não pode acompanhar um pacote laboral que, no fundamental, aquilo
que quer é perpetuar a precariedade para todos. E portanto, tem que agir
em conformidade com isso”, avisou. Entretanto
o PCP adiantou aos jornalistas que no próximo dia 28 a sua interpelação
ao Governo no parlamento terá como tema o pacote laboral e os direitos
dos trabalhadores, solicitando a presença da ministra do Trabalho.A
proposta de lei do Governo de revisão da legislação laboral deu hoje
entrada no 'site' da Assembleia da República, depois de ter sido
aprovada em Conselho de Ministros na quinta-feira passada.O
texto contempla "mais de 50 alterações" ao anteprojeto inicial, das
quais 12 provenientes da UGT, segundo a ministra do Trabalho.Entre
as principais medidas, o Governo manteve a versão inicial do seu
anteprojeto relativa ao prazo dos contratos, prevendo que volte a ter um
máximo de três anos no caso dos contratos a termo certo e de cinco anos
a termo incerto, apesar de durante as negociações ter sido admitido
manter as durações atuais (de dois e quatro anos, respetivamente). É
revogada a norma relativa à proibição de recurso ao ‘outsourcing’
[contratação de trabalho externo] durante um ano após despedimentos, e
no que toca ao banco de horas por acordo - uma medidas mais criticadas
pelas centrais sindicais - estabelece-se que “pode ser instituído por
acordo expresso entre o empregador e o trabalhador” na falta de
convenção coletiva de trabalho.