Pacote laboral é dos “mais profundos retrocessos sociais e laborais das últimas décadas”
16 de out. de 2025, 15:40
— Lusa/AO Online
“Sob
o pretexto de modernizar e flexibilizar as relações laborais, o Governo
da República apresenta um anteprojeto que é o regresso ao passado.
Desregula, precariza e fragiliza direitos fundamentais dos
trabalhadores”, disse António Lima, numa declaração política no último
dia do plenário regional deste mês, na cidade da Horta, na ilha do
Faial.Para o deputado único do BE, a
proposta “não é uma reforma para o século XXI, é uma contrarreforma que
recupera receitas do passado, agravando a exclusão dos grupos mais
vulneráveis e promovendo a desigualdade”.Além
disso, acrescentou, também “não responde aos desafios do tempo
presente, não valoriza o trabalho digno, não respeita a Constituição” e
“terá um impacto ainda mais negativo nos Açores, onde as relações
laborais já são marcadas por uma fragilidade estrutural”.“Os
baixos salários, a fraca taxa de sindicalização e a baixa formação dos
trabalhadores tornam os açorianos particularmente vulneráveis a qualquer
retrocesso nos direitos laborais”, disse.E,
“ao enfraquecer ainda mais a posição dos trabalhadores”, a proposta
“agrava desigualdades e perpetua a precariedade numa região que já
enfrenta desafios acrescidos face à enorme especialização de uma
economia largamente dependente do turismo, atividade onde a precariedade
e os baixos salários predominam”, continuou.António
Lima assegurou igualmente que o BE “está profundamente empenhado em
lutar por avanços concretos nos direitos do trabalho nos Açores e no
país”, como o alargamento do subsídio de alimentação a todos os
trabalhadores do setor privado.No debate, o
deputado do Chega Francisco Lima lembrou que o pacote laboral ainda não
foi aprovado nem discutido na Assembleia da República, criticando o BE
por estar a assumir “que esta maldade que vão fazer, vai-se concretizar
num caos”.“Estamos numa economia competitiva”, salientou, considerando que “há muita coisa que eventualmente pode ser aperfeiçoada”.Pelo
PSD, Sabrina Furtado, sugeriu que terá sido a líder do BE, Mariana
Mortágua, por ter estado algum tempo ausente da Assembleia da República,
quem pediu ao BE nos Açores para “este papel em relação às reformas do
Código do Trabalho”.“Nós, nos Açores, e
ainda bem, temos um Governo Regional [PSD/CDS-PP/PPM] que, por exemplo,
desde 2020 […] tem aumentado a remuneração complementar e, agora, se não
me falha a conta, já vai chegar aos 35%. E, portanto, vir aqui anunciar
o caos […] é […] uma vergonha”, afirmou.Para
o socialista José Eduardo, a anteproposta de reforma da legislação
laboral “representa para os trabalhadores a precariedade e a
fragilização dos vínculos”. A reforma
“coloca em causa a conciliação da vida profissional e familiar” e
representa “o regresso à agenda da ‘troika’”, alertou.“Ainda
estamos no início de um processo, de uma caminhada, é tempo de os
parceiros sociais se pronunciarem e negociarem as regras eventuais de
alteração às leis laborais. E achamos extemporânea esta proclamação que o
BE veio aqui apresentar”, disse, por sua vez, o deputado do CDS-PP
Pedro Pinto.Pelo executivo, o secretário
regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão,
argumentou que a matéria está em discussão num órgão de soberania e
ainda estão a decorrer as negociações e apontou os “resultados
extraordinários” obtidos pelos Açores em matéria de emprego."Temos
o maior número de empregados da história dos Açores, temos uma taxa de
desemprego historicamente baixa, temos até falta de mão-de-obra na
Região Autónoma dos Açores. São resultados extraordinários que importa
sempre referenciar, até porque estão a beneficiar muito
significativamente a nossa região”, salientou.