Pacote habitação permite dar resposta enquanto se aguarda "soluções definitivas" do PRR
1 de mar. de 2023, 12:10
— Lusa/AO Online
"Por isso lançámos este novo
programa, Mais Habitação, porque temos de ter soluções, algumas delas
transitórias para responder a este período, enquanto se constroem as
soluções definitivas ou para responder às situações de emergência",
afirmou o primeiro-ministro António Costa, durante o debate "Mais
habitação - Novas respostas", que decorreu em Matosinhos.António
Costa destacou que, neste momento, existem no país 230 Estratégias
Locais de Habitação "devidamente assinadas e contratualizadas", 1.200
casas concluídas e mais de 11.000 em obra ou projeto."Temos
o objetivo de até ao final de 2026, só no programa 1.º Direito para as
famílias mais carenciadas, construir 26 mil habitações, mas há uma
realidade, é que, a habitação leva tempo a construir, mas cada família,
cada geração de jovens, cada família da classe média precisa de soluções
na habitação hoje e não só amanhã", salientou.Dizendo
ser por essa razão que o Governo lançou o programa Mais Habitação,
António Costa destacou os seus dois "verdadeiros" objetivos: "proteger
as famílias e "aumentar o número de casas acessíveis para as famílias
portuguesas".No debate, António Costa
enumerou as várias medidas que o programa contempla para "proteger as
famílias", como o apoio ao crédito habitação, a possibilidade de
contratos a taxa fixa ou a isenção de mais-valias, bem como as "medidas
para aumentar o número de casas", como o aumento de fogos acessíveis.O primeiro-ministro afirmou ainda que Portugal é "dos países da Europa onde a oferta de habitação pública é mais baixa"."Em
Portugal, só 2% do parque habitacional é público e por isso é que no
PRR temos os 2,7 mil milhões de euros para avançar significativamente
nos próximos quatro anos na recuperação deste atraso", referiu,
reforçando também que, enquanto se constrói o parque habitacional
público são necessárias respostas."Não
basta assinar o contrato da empreitada para que a casa no dia a seguir
esteja pronta. Nós temos de ter oferta pública entretanto e temos,
sobretudo, que incentivar os proprietários privados a que coloquem no
mercado as suas casas. Não há nenhuma justificação para quem tenha uma
casa a tenha fechada e não rentabilize esse património que é um
rendimento para si próprio, mas é uma habitação para quem precisa de
habitação", destacou.Aos vários militantes
socialistas que se encontravam no debate, onde também marcou presença a
ministra da Habitação, Marina Gonçalves, o primeiro-ministro mostrou
disponibilidade para responder às várias questões, "tomar nota das
propostas", bem como das críticas por forma a "aprovar um programa que
funcione efetivamente para cumprir os seus objetivos". "Garantir que há mais casas no mercado acessíveis às pessoas e garantir mecanismos de apoio às famílias", reforçou. O
programa Mais Habitação foi aprovado em Conselho de Ministros e vai
ficar em discussão pública durante um mês. As propostas voltam a
Conselho de Ministros para aprovação final, em 16 de março, e depois
algumas medidas ainda têm de passar pela Assembleia da República.O
Governo quer alargar o número de casas disponíveis no programa do
arrendamento acessível (PAA) e para tal está prevista uma taxa de 6% nas
obras de construção ou reabilitação de casas que sejam maioritariamente
afetas a este programa (pelo menos 70%), prometendo ainda isenção de
IMI por três anos (prorrogável por mais cinco) e isenção de IMT na
aquisição para reabilitação.Entre outras
medidas, o Mais Habitação contempla também a criação de um regime fiscal
para as casas atualmente afetas ao AL e que transitem para o mercado de
arrendamento, que contempla a atribuição de isenção de IRS para os
rendimentos das rendas até 31 de dezembro de 2030.