Ovar passa a ter entrada paga na noite de Carnaval para “maior segurança“ na cidade
29 de jan. de 2020, 13:37
— Lusa/AO Online
Em causa está a chamada
"Noite Mágica" que, na véspera da Terça-Feira Gorda, e durante toda a
madrugada, tem levado cerca de 100.000 pessoas à referida cidade do
distrito de Aveiro, onde nessa data cada rua e praça é animada com um
estilo musical próprio, diferente do das restantes.O
acesso ao centro histórico nesse período vinha sendo gratuito, mas em
2018 a organização do Carnaval já implementou o controlo de entradas,
"só para contabilizar visitantes e desmotivar excessos com álcool e
armas" e este ano irá agora introduzir a entrada paga, ao preço de um
euro mediante compra antecipada de bilhete até 07 de fevereiro e de três
euros em caso de aquisição apenas no próprio dia."Nos
últimos anos tivemos momentos de enorme aflição dado o elevado número
de foliões na noite de segunda para terça-feira e este valor simbólico
permitirá reduzir o número de acessos ao recinto e qualificar o tipo de
público, o que garantirá mais segurança à festa e também maior
comodidade a quem circula no centro histórico durante a festa", declarou
à Lusa o presidente da Câmara Municipal de Ovar, Salvador Malheiro.A introdução de pagamento contribuirá ainda para outro objetivo da autarquia."Além
de assegurar um melhor fluxo de pessoas, a entrada paga vai ajudar à
sustentabilidade financeira do evento, que temos vindo a otimizar nos
últimos anos com investimentos destinados a melhorar a visibilidade dos
espectadores dos cortejos, como aconteceu com as plataformas para peões e
com os camarotes, e a diminuir o impacto ambiental da festa, impondo o
uso de copos reutilizáveis", explicou.O
custo global do Carnaval de Ovar é de cerca de 650.000 euros, dos quais
300.000 representam apoios diretos atribuídos aos 24 grupos e escolas de
samba locais que desfilam nos corsos de sábado, domingo e terça-feira -
num universo de 2.000 figurantes.Salvador
Malheiro defende que esse investimento se tem refletido "num aumento
evidente da qualidade do Carnaval vareiro" e, consequentemente, num
maior retorno financeiro para todo o tecido económico envolvido no
evento. "Os dois bares concessionados para
o Carnaval deste ano já renderam mais de 50.000 euros em hasta pública,
o que é um recorde e significa que os empresários sabem que vão
recuperar facilmente esse dinheiro", realça.Na
edição de 2020, o evento "ainda não se vai pagar a si próprio", mas,
feitas as contas, e mesmo considerando que "quem vive no centro
histórico não vai pagar entrada na Noite Mágica", a expectativa do
autarca é que o Carnaval de Ovar "atinja a sua sustentabilidade
financeira num prazo de três anos".A
programação oficial da edição de 2020 do Carnaval de Ovar arranca a 01
de fevereiro com a atuação do grupo de samba brasileiro Monobloco, o
que, segundo Salvador Malheiro, tem motivado "um interesse louco" por
parte da comunidade de imigrantes do Brasil a viver em Portugal e
explica o facto de que "os hotéis de Ovar já estão cheios para esse
dia".A cantora brasileira Alcione é outro
destaque deste ano pelo seu concerto a 15 de fevereiro, sendo que também
há espetáculos previstos com Quim Barreiros, Toy, Anselmo Raph, Waze e
Supa Squad.Caminhadas noturnas, desfiles
da comunidade sénior e infantil, um corso aberto à população em geral,
cortejos gerais ou só com escolas de samba, visitas guiadas à Aldeia do
Carnaval (onde se concentram as sedes dos 24 grupos de Entrudo locais) e
programas turísticos com deslocação a unidades de fabrico de pão-de-ló
de Ovar, ao Museu Escolar Oliveira Lopes e a património azulejar são
outras das iniciativas inseridas na programação de 2020 - cujas
propostas estão acessíveis a preços entre os 0 e os 15 euros.