Ouvidoria de Ponta Delgada homenageia o cónego António Rego
21 de jun. de 2024, 11:27
— AO Online
“Escutar a vida é escutar o Mar” afirmou o cónego António Rego numa
entrevista ao Sítio Igreja Açores quando celebrou meio século de
ordenação sacerdotal, em 2014. Na altura, ainda em Lisboa, tinha
publicado o livro “A ilha e o verbo- dos vulcões da Atlântida à Galáxia
digital”, uma conversa com o seu amigo de sempre Paulo Rocha, jornalista
e sucessor na direção da Agência Ecclesia.
“Estando na ilha sinto-me próximo do verbo, que eu anuncio, e é minha
missão anunciar o verbo. O verbo que me anunciou também a palavra, o
verbo que me anima, me dá sentido à vida, que me faz ver esse grande
livro – que é o grande verbo – a Bíblia e que a espalha pelos pontos por
onde vou passando. A ilha, o verbo e eu, que sou insignificante, mas
passam a ser um só no meu caminhar, e no caso, no meu navegar”,
explicava.
O mar, que é horizonte contemplado, é igualmente casa, onde o
sacerdote gosta de mergulhar, “ver o fundo do mar, de coabitar com os
peixes, as algas, as plantas, a sua beleza, os reflexos do sol” que são,
simultaneamente, “reflexo da vida”.
Nesta sexta-feira completa 60 anos de ordenação sacerdotal. Na
Matriz de São Sebastião, onde foi ordenado, voltará a concelebrar com os
seus irmãos, numa iniciativa promovida pela ouvidoria de Ponta Delgada,
envolvendo diretamente a paróquia da Matriz e todos os amigos e irmãos
no sacerdócio que desejarem juntar-se ele. O convite está feito para ser
um dia de festa e a porta aberta a todos. Para a Eucaristia e para o
Pico de honra no Salão paroquial, pouco depois.
O Cónego António Rego nasceu na Vila de Capelas, São Miguel, Açores,
em 1941. O jornalismo desde cedo caracterizou o estudante e, depois, o
sacerdote: primeiro nos Açores, na imprensa, na rádio e na televisão, e
depois em órgãos de comunicação nacionais.
Ainda jovem Padre criou um programa de Rádio, de nome “Hoje é
Domingo”. Em Lisboa, escreveu semanalmente no Diário de Notícias e mais
tarde no Correio da Manhã. Na Agência Ecclesia, os editoriais que
escreveu desde 1996 foram reunidos noutro livro: Deus na Cidade.
Estudou Comunicação Social, em França. Realizou centenas de programas
na Rádio Renascença e na Radiodifusão Portuguesa. Realizou mais de 1500
programas de televisão, na RTP e na TVI, onde esteve até 2015, como
coordenador e realizador de emissões religiosas. Efetuou reportagens de
temática religiosa nos cinco continentes, de Pequim a Moscovo, da
Noruega à Malásia, do Quénia à Amazónia, da Califórnia ao Equador,
passando por todos os países lusófonos. Foi professor de Comunicação
Social na UCP e diretor do Secretariado Nacional das Comunicações
Sociais. Em 2006, foi nomeado pelo papa Bento XVI Consultor do Conselho
Pontifício das Comunicações Sociais.
No ano em que se ordenou eram vários os irmãos no sacerdócio. Apenas
um está vivo, o padre Abílio de Morais, que foi ordenado em Angra, no
mesmo ano mas quase dois meses depois.
Após a ordenação sacerdotal na Diocese de Angra, o padre António
Rego, foi para o continente onde, para sempre ficou ligado à pastoral da
comunicação.
Como padre esteve à cabeceira dos doentes, visitou prisões e nunca
deixou de anunciar a palavra fosse na Igreja , na rua ou nos comentários
nas televisões e na rádio.
“A nossa Igreja tem muitas fraquezas mas tem algo de extraordinário
que se expressa em tantos movimentos, se expressou no Concílio e através
do seu espírito mergulhou nas nossas comunidades, e através dos
pastores que nos animam”, traduz da experiência de 50 anos de
sacerdócio.
“Nunca fui padre num regime de opressão eclesial, tive sempre a
liberdade de trabalhar e fui sempre estimulado em criatividade e procura
de outras formas”, acrescentou na altura.
Na Rádio Renascença, onde trabalhou entre 1968 e 1975, o cónego
António Rego guarda “grandes memórias” com a oportunidade de abrir
“temas de programas que não existiam ou estavam silenciados”, em
especial dedicados “aos doentes e o Esquema 13, ligado ao Concílio
Vaticano II”.
A sua vontade de comunicar e a voz inconfundível apresenta-nos um
Deus próximo, que se faz gente como nós, para nos mostrar o seu amor.
A missa dos 60 anos de ordenação sacerdotal, aniversário que coincide
também com a entrada na vida religiosa da Irmã Alda Rego, que também
entrou na vida consagrada há 60 anos, é às 18h30 na Matriz de São
Sebastião, em Ponta Delgada.