Ourives desesperados com onda de assaltos

Vaga de assaltos na Região Norte

26 de set. de 2007, 20:48 — Lusa / AO online

O assalto mais mediático - a uma ourivesaria e museu de ouro contíguo em Viana do Castelo - "foi apenas mais um de muitos" a operadores do sector, sublinhou o dirigente da AIORN Nuno Rocha, que falava à Lusa em nome da Direcção da estrutura. Somando números da GNR e da PSP, conclui-se que em 2005 se registaram 47 assaltos a operadores do sector, número que subiu para 63 em 2006. No final do primeiro trimestre deste ano, as duas polícias já registavam quatro dezenas de casos. "Ninguém faz nada e os ourives continuam a ser uma autêntica mina para os assaltantes", lamentou o dirigente, que se queixou de falta de "feedback" sobre a actuação policial nestes casos e de uma espécie de "discriminação negativa" do sector face a outros igualmente mais apetecíveis para os criminosos. Nuno Rocha referia-se à introdução do sistema "táxi seguro", para reforçar a segurança dos taxistas, e a um plano da Comissão para a Segurança dos Postos de Abastecimento de Combustíveis para travar assaltos a gasolineiras. As preocupações da AIORN foram também expressas em comunicado, agora divulgado. Nesse comunicado refere-se que "o flagelo que atinge o sector da ourivesaria da forma mais grave de que há memória não tem suscitado nas autoridades competentes o interesse e a atenção merecidas". Para um sector económico como a ourivesaria, "que atravessa a maior crise de sempre, estes ataques determinam a intensificação desta situação dramática", acrescenta o comunicado. A AIORN garante ainda que "tem tentado, por todos os meios, fazer ouvir a voz de revolta dos ourives, trabalhando com o Ministério da Administração Interna e com a Polícia Judiciária e chamando a atenção dos mass-media para esta situação". Esta associação também tem organizado seminários, colóquios e outras actividades, onde se procura sensibilizar o sector para novas formas de segurança e para a necessidade de mudança de hábitos, de forma a diminuir o risco de assaltos. A AIORN produziu um "Manual de Boas Práticas" com recomendações aos associados sobre os cuidados a ter. As recomendações vão, sobretudo, no sentido de se alterarem frequentemente os percursos e as viaturas de transporte. Nuno Rocha considera, contudo, que o incremento da cultura de segurança entre os operadores do sector "não resolve tudo", sobretudo nos momentos em que os revendedores fazem transporte apeado dos valores do armazém para a viatura e desta para o retalhista. Fonte ligada à investigação criminal admitiu à Lusa que não há nenhum programa especial de segurança vocacionado para comerciantes de ouro. Sem ter "dados factuais" que confirmem um crescendo desse tipo de criminalidade, a fonte reconheceu um aumento do sentimento de insegurança entre os operadores do sector, afectados por alguns assaltos com algum grau de violência. "Os crimes mais violentos e mais mediatizados têm maior impacto no agudizar do sentimento de insegurança e, no caso do ouro, essa percepção agudiza-se por se tratar de uma actividade em recessão", disse. Um dos últimos assaltos aconteceu na tarde de sexta-feira em Gondomar, quando um grupo encapuzado assaltou um vendedor de um ourives que regressava, de automóvel, à sede da empresa. Os assaltantes levaram todas as malas cheias de mostruário de ourivesaria. Já no passado dia 06, o Museu de Ouro Tradicional e a Ourivesaria Freitas, em Viana do Castelo, foram assaltados por um grupo de quatro indivíduos encapuzados, que levaram objectos em ouro e relógios num valor que o proprietário estima ser superior a 1,5 milhões de euros. Os assaltantes foram surpreendidos pela presença de agentes da PSP, tendo reagido com "tiros de caçadeira de canos serrados e de pistola". Outro caso dramático ocorreu em Janeiro deste ano, quando o proprietário de uma ourivesaria de Bajouca, Leiria, foi assassinado à facada e a tiro, após tentar repelir os assaltantes com um martelo.