Ourém continua a ser porto seguro, mas refugiados não veem a hora de regressar
Ucrânia/1 ano
22 de fev. de 2023, 07:51
— Lusa/AO Online
“Espero
que a guerra acabe para regressarmos”, afirmou à agência Lusa Alina
Moskaliuk, agora com 27 anos, mãe de uma menina, de um ano e 11 meses.A 03 março de 2022, Alina e a filha chegaram a Ourém, no mesmo carro em
que estavam também a irmã Viktoria Forostianyi (mais o marido, Andrei, e
os dois filhos menores de ambos), após uma viagem iniciada em 25 de
fevereiro, na cidade ucraniana de Shargorod, que prosseguiu pela
Moldova, Roménia, Hungria, Eslováquia, Áustria, Itália, França e
Espanha, até chegarem a Portugal.Na cidade
de Ourém, distrito de Santarém, esperava-os Karina, irmã de Alina e
Viktoria, e o marido, Artem Ratushnyy, na casa de quem ficaram
transitoriamente.Um ano volvido, Viktoria
de 30 anos, está a “tentar acostumar-se”. Ainda não tirou o azul e
amarelo (as cores da bandeira ucraniana das unhas), que exibiu com um
largo sorriso, que deu lugar às lágrimas assim que “regressou” à terra
Natal e recordou o avô, de 82 anos, que lá ficou.“Gosto
muito de Portugal, estou a pensar no nosso possível futuro aqui, mas,
quando a guerra acabar, a primeira coisa que vamos fazer é ir para
casa”, garantiu, justificando: “As pessoas tinham uma vida lá”.O
marido de Viktoria, Andrei, motorista de 30 anos a trabalhar para uma
empresa dos Países Baixos, completou: “Se todos os países fizerem o que
dizem… Precisamos de mais ações e menos conversa”.As
duas famílias vivem num apartamento T3, onde estão cinco adultos
(entretanto chegaram o marido de Alina e a mãe de Andrei) e três
crianças, mas esperam que, entretanto, uma das famílias se instale
noutra habitação.Militar, o marido de
Alina conseguiu uma licença para cuidar dos pais que têm problemas de
saúde e está temporariamente em Portugal.“A
cidade é bonita, não é grande, mas tem tudo”, adiantou Alina, assumindo
que a maior dificuldade é a língua portuguesa, que tem sido um
obstáculo para encontrar trabalho, apesar de uma aplicação para
telemóvel e de uma amiga ajudarem na aprendizagem.“Há
ensino de Português à noite, mas com crianças é difícil”, referiu,
assumindo ter medo pela família e amigos que ficaram na Ucrânia.Dos portugueses, Viktoria afirmou serem simpáticos, mas não esquece que uma vizinha já lhe disse para regressar.As
duas famílias recebem apoios para a renda de casa e foram agora
informados de que os da Segurança Social “vão ser reduzidos”. Da Câmara
de Ourém, assinalam a ajuda recebida e o aviso de que se precisarem de
alguma coisa as portas estão abertas.Viktoria,
como há cerca de um ano dizia à Lusa, continua a acreditar que a guerra
vai escrever-se com uma vitória para o seu país, deixando um derradeiro
apelo: “Não esqueçam a Ucrânia, ajudem a Ucrânia. Não é uma guerra na
Ucrânia, é uma guerra no mundo”.