“Ou não há Governo, ou há Governo com o Chega”, diz André Ventura
Chega/Convenção
28 de jan. de 2023, 20:33
— Lusa /AO Online
“Só há duas hipóteses. Ou não há Governo, ou há Governo com o Chega, não há outra hipótese para além disso”, salientou, em declarações aos jornalistas, antes da recomeço dos trabalhos da V Convenção Nacional do partido, após a pausa para almoço.Ventura afirmou que, enquanto for presidente do partido, “não haverá nenhuma geringonça de direita em Portugal, pelo menos em que o Chega seja parte”.Momentos antes de votar para a liderança do partido, onde é candidato único, André Ventura afirmou que a única solução que poderá haver "é uma coligação governamental”.“O Chega exige ser corresponsabilizado pelo Governo da República e não apenas deixar essa responsabilidade para o PSD, porque temos tido governos do PSD que não têm sido muito diferentes dos do PS”, criticou.O líder indicou que, caso o Chega seja necessário para uma solução de Governo à direita nas próximas eleições legislativas, “exigirá a participação nesse Governo”.Apesar de reconhecer a “distância significativa” entre os dois partidos nas intenções de voto, o Chega vai lutar para “liderar esse Governo", disse.“Se o Chega liderar esta coligação há outra decisão que é preciso tomar: [verificar] se o PSD está capaz de mudar o seu ADN ou mudar algumas características do seu ADN para corresponder a um novo estilo de governação que vai ser o do Chega”, considerou.André Ventura considerou necessário “chegar a acordo em algumas matérias”, como “a reforma da justiça, o reforço do sistema político, a enorme injustiça no sistema fiscal”.São “áreas difíceis que exigem muita negociação, muita aproximação porque são de mudança do sistema estrutural do país”, declarou.Questionado sobre os ministérios que gostaria que o partido liderasse, André Ventura considerou que “mais do que a questão de quem ocupa os ministérios, é que o Chega tenha um papel a dizer sobre a execução desses ministérios”.O presidente do Chega indicou que “não vai ser fácil qualquer entendimento”, mas considerou que o líder do PSD, Luís Montenegro, “percebeu algo que Rui Rio [o antecessor] não tinha percebido, não pode haver linhas vermelhas, senão o risco é não haver Governo”.“Acho que temos o caminho mais aberto para a possibilidade de começarmos a criar a tal alternativa que o PR pediu, caso o governo socialista caia, como parece que dificilmente se aguentará”, salientou.Questionado se vai apresentar propostas concretas para o país durante esta convenção, na qual estão previstos quatro discursos seus, Ventura disse que num primeiro momento falou para o partido porque “primeiro é preciso ganhar os partidos para depois falar para o país”.“Ontem [sexta-feira] e hoje estamos a falar sobre o Chega e sobre o futuro do Chega, hoje à noite e amanhã [domingo] estaremos a falar para o país”, adiantou, referindo que o partido foi aquele que mais propostas apresentou de alteração ao Orçamento do Estado.O Chega realiza até domingo, em Santarém, a sua V Convenção Nacional, marcada na sequência do chumbo dos estatutos pelo Tribunal Constitucional. Porém, o partido decidiu regressar aos estatutos originais, de 2019, e ajustar os órgãos, em vez de os voltar a alterar este fim de semana.Depois da eleição do presidente, o partido vai eleger no domingo os órgãos nacionais.