"Os Verdes" pedem estudo de impacte ambiental sobre porto espacial de Santa Maria
2 de abr. de 2019, 18:30
— Lusa/AO Online
"Há uma falta de
informação, uma carência enorme de informação", e "aquilo que as
pessoas estão a sentir é que essa falta de informação pode significar a
procura de escamotear o que verdadeiramente está em causa", considerou a
parlamentar ecologista.Heloísa Apolónia
falava aos jornalistas em Ponta Delgada, após ter estado, na
segunda-feira, na ilha de Santa Maria, tendo aí tomado contacto com o
projeto do porto espacial e ouvido a população e entidades.A
decisão de implementar o porto "parece estar tomada, ou em vias de ser
tomada, quando nem sequer foi feita qualquer avaliação do projeto,
designadamente a nível de impacte ambiental", sinalizou a ecologista."Estamos
em crer que, se essa avaliação for feita, aquele projeto não vai para a
frente", prosseguiu a deputada, falando em "impactos sobre o
território, pequenas atividades económicas sustentáveis e a segurança"
da ilha.Ao não se ter feito um estudo
ambiental antes da tomada de decisão, está-se a "trair a lógica, as
populações e o território", considerou ainda a deputada de "Os Verdes".Na
sua passagem pelos Açores, a parlamentar defendeu ainda serem
necessários "projetos direcionados" para a "conservação" da natureza, um
"problema global" e que, nos Açores, devido às suas especificidades e
mais-valias neste campo, deve ser particularmente tido em conta.O
presidente do Governo Regional dos Açores classificou recentemente como
um “passo importante e concreto” a publicação do concurso público para a
construção e exploração de um porto espacial em Santa Maria.O
líder do executivo açoriano frisou que, durante as várias fases do
processo, “será possível salvaguardar um aspeto no qual o Governo
Regional tem insistido sempre e colocado sempre à cabeça deste processo,
que tem a ver com a salvaguarda das componentes ambiental e de
segurança”.“Espero que concorram todos
aqueles que virem neste projeto também uma resposta que, da nossa parte,
valoriza a posição dos Açores e a sua rentabilização como fator de
criação de riqueza e de criação de emprego que acautele a componente de
segurança e ambiental”, afirmou ainda o governante.O
júri do concurso é composto pela presidente da Agência Espacial
Portuguesa, Chiara Manfletti, o vice-presidente da agência e coordenador
da estrutura de missão dos Açores, Luís Santos e o presidente do
Conselho de Administração da Sociedade para o Desenvolvimento
Empresarial dos Açores (SDEA), Vítor Fraga, bem como outras
personalidades da Fundação para a Ciência e Tecnologia e do meio
académico, avançou Vasco Cordeiro.O
Governo aprovou no dia 07 de março a criação da agência espacial
portuguesa Portugal Space, com sede na ilha açoriana de Santa Maria,
onde será construída uma base de lançamento de microssatélites.Uma
das missões da Portugal Space será promover "novas atividades e
negócios" no setor espacial, em particular na observação da Terra com
pequenos satélites, e "facilitar uma maior participação de Portugal nos
programas europeus", da Agência Espacial Europeia (ESA) e da União
Europeia. A agência espacial portuguesa é um dos pilares da estratégia nacional para o setor do espaço - "Portugal Espaço 2030".