‘Os Verdes’ dizem que Governo tem de alterar “posicionamento irredutível” com professores
27 de dez. de 2018, 08:53
— Lusa/AO Online
“Nós consideramos
que este veto do Presidente da República vai ao encontro daquelas que
têm sido as preocupações manifestadas pelos ‘Os Verdes’ tendo em conta a
posição do Governo, que se tem demonstrado completamente irredutível
nas negociações com os sindicatos”, disse a deputada Heloísa Apolónia em
declarações a agência Lusa. Heloísa
Apolónia salientou que os sindicatos manifestaram abertura para
discutir o faseamento da contagem do tempo de serviço e que fizeram
várias propostas, mas o governo manteve-se “sempre irredutível”. “Já
são várias entidades e órgãos de soberania a ditar um descontentamento
relativamente ao posicionamento do Governo e agora só tem uma
alternativa, sentar-se à mesa com os sindicatos, mas com vontade de
negociar o prazo e o modo da contagem do tempo de serviço”, explicou. A
deputada referiu que o processo “não podia terminar desta maneira”,
salientando que o Governo tem de alterar a sua postura nas negociações. “Compreendemos
que não pode ser feito de um dia para o outro ou de um ano para o
outro, mas vamos negociar o modo e prazo para a contabilizar todo esse
tempo de serviço. O que se pede ao Governo é que altere o seu
posicionamento irredutível, porque não quer sair dos dois anos e nove
meses, mas tem de sair, porque está completamente isolado nesta
matéria”, afirmou. O
Presidente da República vetou hoje o diploma do Governo que prevê a
recuperação parcial do tempo de serviço dos professores por entender que
a norma incluída pelos partidos no Orçamento do Estado para 2019 obriga
a que o diploma “seja objeto de processo negocial”.“Assim
sendo, e porque anteriores passos negociais foram dados antes da
aludida entrada em vigor, remeto, sem promulgação, nos termos do artigo
136.º, n.º 4 da Constituição, o diploma do Governo que mitiga os efeitos
do congelamento ocorrido entre 2011 e 2017 na carreira docente, para
que seja dado efetivo cumprimento ao disposto no citado artigo 17.º, a
partir do próximo dia 01 de janeiro de 2019”, acrescenta Marcelo Rebelo
de Sousa. No
Orçamento do Estado para 2019, PSD, CDS-PP, BE, PCP e Os Verdes
entenderam-se para aprovar – com o voto contra do PS - um artigo que
força o Governo a retomar as negociações, mas não para incluir no
documento as propostas de BE e PCP que estipulavam uma calendarização
para a recuperação integral do tempo de serviço dos professores. O
Governo aprovou em 20 de dezembro, em Conselho de Ministros, o
decreto-lei que prevê a recuperação de dois anos, nove meses e 18 dias
de tempo congelado aos professores (em vez dos mais de nove anos
exigidos por esta classe profissional).A
aprovação do decreto-lei aconteceu dois dias após a última reunião
negocial entre as dez estruturas sindicais de professores e
representantes dos ministérios da Educação e das Finanças, que terminou
sem acordo.