Origem do incêndio no HDES gera polémica entre autor do relatório e tutela
5 de jul. de 2024, 09:00
— Carolina Moreira/Nuno Martins Neves
Um dos autores do relatório técnico de investigação às causas do
incêndio no Hospital de Ponta Delgada negou, no debate da Antena
1/Açores, que a situação tenha tido origem numa falha nas baterias de
condensadores, tal como havia sido anunciado esta semana pela secretária
regional da Saúde.No debate promovido pela Antena 1/Açores, dois
meses depois do incêndio, João Mota Vieira contradisse Mónica Seidi,
afirmando que a justificação apresentada “não está escrita no
relatório”.“O nosso relatório não confirma que a senhora diga que o
incêndio foi nas baterias dos condensadores. Não está escrito no nosso
relatório”, afirmou. Sem poder revelar o conteúdo do documento, uma vez
que o Conselho de Administração do hospital pediu para juntar o
relatório ao inquérito da Polícia Judiciária, João Mota Vieira garantiu
que essa não foi a causa do incêndio. “Não posso dizer o que lá está
escrito, mas posso dizer o que não está. E o que a senhora diz aqui não
é”.Mónica Seidi reagiu às declarações do especialista reafirmando as
causas do incêndio que anunciou esta semana em conferência de imprensa,
mas admitiu que possa ter havido uma “falha de interpretação”.“Quando
o relatório for tornado público, está lá escrito que uma das causas do
incêndio se deve a uma falha de equipamento técnico, nomeadamente nas
baterias de condensadores. Portanto, está lá escrito, não há aqui
nenhuma intenção da secretária em fazer passar outra informação, mas é
como lhe digo o relatório, aquando pronúncia do juiz de instrução
criminal, será tornado público e aí podemos tirar todas as dúvidas. Pode
haver uma falha de interpretação da minha parte, mas penso que está lá
escrito”, afirmou.O Açoriano Oriental apurou que o incêndio no
HDES terá tido a sua origem em baterias de correção de fator de potência
que, segundo confirmou o jornal, tratam-se, de facto, de baterias de
condensadores.