Organizações lançam campanha para quebrar mitos e preconceitos sobre VIH
12 de ago. de 2024, 12:02
— Lusa/AO Online
Coordenada pelo Grupo
de Ativistas em Tratamentos (GAT) e a associação Ser+, a campanha
‘Transmissível' pretende quebrar mitos e preconceitos sobre o Vírus da
Imunodeficiência Humana (VIH), que causa a sida, adiantam as
organizações em comunicado.A
campanha conta cinco histórias reais registadas em vídeo, onde se
destaca “a importância do conhecimento sobre a não-transmissão do VIH
quando a pessoa diagnosticada está sob tratamento e com carga viral
indetetável”.O Relatório Stigma Index 2.0,
promovido pelo Centro Anti Discriminação (CAD) VIH e Sida, relata que o
estigma ainda atinge com frequência as pessoas que vivem com VIH e os
dados mostram que 38% dos participantes revelaram ter sido alvo de
discriminação social. Para o coordenador
do CAD e presidente da Direção do GAT, João Brito, esta campanha “é um
passo crucial para educar a sociedade e acabar com os estigmas sem
fundamento associados ao VIH", que se estimava afetar 45.532 pessoas em
Portugal em 2021, segundo os últimos dados oficiais.
“Queremos mostrar que, com um tratamento eficaz, as pessoas com VIH
podem viver vidas longas e saudáveis, sem transmitir o vírus. É altura
de quebrar as barreiras que ainda existem no que toca à compreensão
desta infeção", sublinha João Brito, citado no comunicado.Ana
Duarte, coordenadora do CAD e responsável pela área da formação, diz,
por seu turno, que a formação e capacitação das comunidades que vivem
com VIH, dos profissionais de saúde e da população em geral “essencial
para erradicar os contextos discriminatórios”.As
organizações lembram que, durante os últimos 20 anos, estudos
científicos têm comprovado que pessoas com VIH, com recurso a um
tratamento eficaz e uma carga viral indetetável, não podem transmitir o
vírus a outras pessoas. Apesar do avanço
científico, persistem mitos que a campanha pretende desconstruir, entre
eles o de as pessoas com VIH terem sempre o risco de transmitir o vírus,
de terem usar preservativo para não transmitir o vírus, o que a
campanha esclarece é que se a pessoa está diagnosticada e em tratamento
eficaz há mais de seis meses e com a carga viral indetetável, o vírus
não será transmitido com ou sem o uso do preservativo, em qualquer
prática sexual.“Pessoas com VIH têm a
responsabilidade de acabar com a transmissão” é outro mito, uma vez que
“o vírus é transmitido por pessoas que desconhecem viver com o vírus”.A
campanha realça que a prevenção é da responsabilidade de todas as
pessoas, sendo “crucial que as pessoas que desconhecem o seu estatuto
serológico para o VIH, façam o rastreio do VIH e outras infeções
sexualmente transmissíveis regularmente”.Há
ainda o mito de que quem vive com a infeção parece sempre doente, o que
também é falso: A maioria está perfeitamente saudável e, com o
tratamento antirretroviral, pode viver uma vida longa e saudável. “É
da responsabilidade de todos saber mais sobre o vírus e ajudar a acabar
com o estigma e a discriminação. Por outro lado, a prevenção é um dever
de toda a sociedade e adotar práticas para sexo mais seguro com o uso
do preservativo e da Profilaxia Pré-Exposição e da Profilaxia
Pós-Exposição”, salientam os promotores da campanha, que contou com o
apoio da ViiV Healthcare e da Direção-Geral da Saúde.