Organizações de consumidores pedem a Bruxelas fim das taxas sobre bagagem de mão
21 de mai. de 2025, 12:32
— Lusa/AO Online
Além da
Comissão Europeia, a associação de defesa do consumidor e as congéneres
apresentaram um alerta à Rede de Cooperação no domínio da Defesa do
Consumidor (rede CPC), denunciando a política de bagagem de sete
transportadoras aéreas, anunciou a Deco em comunicado.No
centro da denúncia estão a EasyJet, Norwegian Airlines, Ryanair,
Volotea, Vueling, Transavia e Wizzair, acusadas pelas associações de
cobrar valores adicionais para permitir aos passageiros viajarem com
bagagem de mão.Estas práticas, segundo as
organizações, violam o entendimento do Tribunal de Justiça da União
Europeia, que já considerou que a bagagem de mão não pode ser alvo de
tarifas extra desde que cumpra critérios razoáveis de peso, dimensões e
segurança.A Deco lembra ainda que a
prática de cobrança de bagagem começou a ser implementada pela Ryanair,
mas tem vindo a ser replicada por outras transportadoras.“São
cada vez mais as transportadoras aéreas que exigem aos passageiros, que
pretendam viajar com bagagem de mão, o pagamento de um suplemento,
contrariamente ao que foi, durante largos anos, prática no setor da
aviação”, destaca a Deco.As taxas cobradas
variam consoante a rota, a procura, a data da viagem e o momento em que
são adicionadas ao bilhete. Nos casos em que são aplicadas no
aeroporto, o valor pode atingir os 75 euros por trajeto. As associações
alertam ainda para a forma como estas taxas são comunicadas durante o
processo de reserva, referindo o uso de “padrões obscuros” que podem
induzir em erro os consumidores.Em 2024, a
Deco já tinha solicitado a intervenção da Autoridade Nacional da
Aviação Civil (ANAC) sobre esta matéria. Agora, pede uma investigação ao
nível da União Europeia a todo o setor.Já
em Espanha, o Ministério dos Direitos Sociais e Consumo aplicou em
novembro de 2024 coimas no valor total de 179 milhões de euros a cinco
companhias aéreas – Ryanair, EasyJet, Vueling, Norwegian e Volotea –,
por práticas consideradas abusivas, incluindo a cobrança da bagagem de
mão.“Com este passo importante na defesa
dos direitos dos passageiros na vizinha Espanha, e na ausência de
alterações pelas companhias que continuam a cobrar taxas adicionais,
impõe-se a atuação das autoridades europeias”, destacam.Além
disso, defendem que “a revisão em curso do regulamento relativo aos
direitos dos passageiros deve servir para clarificar quais os serviços
que devem ser incluídos no preço base do bilhete e também para definir o
tamanho e peso razoáveis da bagagem de mão, evitando-se surpresas no
aeroporto que custam tempo e dinheiro aos consumidores”.