Organizações açorianas preocupadas por amortização da subida do preço do gasóleo não incluir pescas
Hoje 15:40
— Lusa/AO Online
Numa
carta aberta dirigida ao presidente do Governo dos Açores, a Federação
das Pescas dos Açores (FPA), a Associação dos Comerciantes de Pescado
dos Açores (ACPA) e a Pão do Mar manifestam a sua “profunda preocupação e
estranheza” relativamente às declarações proferidas pelo presidente do
Governo Regional, na passada sexta-feira, na abertura do
Concurso Micaelense da Raça Holstein Frísia, promovido pela Federação
Agrícola de São Miguel.Na ocasião, José
Manuel Bolieiro, admitiu preocupação “face às dificuldades associadas ao
atual contexto internacional, que tem provocado instabilidade nos
mercados e agravado os custos de produção” e garantiu que o executivo
“está preparado para mitigar o impacto da subida do gasóleo agrícola”.“O
Governo [Regional] assume amortizar até 10 cêntimos a subida do preço
do gasóleo durante os meses de maio e junho”, referiu o governante.As
organizações das pescas dos Açores consideram “incompreensível” que o
setor, também “fortemente penalizado pelo aumento do preço dos
combustíveis, não tenha sido contemplado com qualquer medida semelhante,
nem tão pouco referido nesse anúncio público”.“Importa
recordar que nos encontramos num período do ano em que a atividade da
pesca, em toda a fileira, aumenta consideravelmente, sendo também nesta
fase que os custos com combustíveis e seus derivados assumem um impacto
ainda mais significativo para o setor”, referem na Carta Aberta enviada à agência Lusa.Adiantam que após
as declarações de Bolieiro, procuraram obter esclarecimentos junto da
tutela regional do setor e, até ao momento, não obtiveram qualquer
resposta oficial, situação que lamentam “profundamente” e que “apenas
reforça o sentimento de desprezo, desconsideração e desigualdade de
tratamento sentido pelos profissionais do mar”.A
FPA, a ACPA e a Pão do Mar alegam que “não podem aceitar qualquer forma
de discriminação entre setores produtivos da região”, considerando que o
apoio ao setor agrícola é “legítimo e necessário”, mas exigem “o mesmo
respeito, atenção e disponibilidade” para com as pescas.Na
missiva, referem ainda a “constante presença institucional do Governo
Regional, na pessoa do senhor presidente, em iniciativas ligadas à
agricultura, contrastando com a reduzida proximidade demonstrada
relativamente ao setor das pescas”.As
entidades subscritoras da Carta Aberta esperam que o Governo Regional
reavalie a situação com “sentido de justiça, equilíbrio e respeito
institucional”, garantindo que um setor estratégico para os Açores “não
continue a ser relegado para segundo plano”.