Organização Meteorológica Mundial alerta para impacto humano nas poeiras da atmosfera
13 de jul. de 2024, 15:06
— Lusa
"Necessitamos de estar
vigilantes face à contínua degradação ambiental e às alterações
climáticas. Provas científicas demonstram que as atividades humanas
estão a ter impacto nas tempestades de areia e poeiras. Por exemplo,
temperaturas mais elevadas, secas e maior evaporação levam a uma menor
humidade do solo, que, combinada com a má gestão da terra, conduz a mais
tempestades de areia e poeiras", advertiu, citada em comunicado, a
secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.Segundo
a OMM, que hoje divulgou o relatório anual sobre poeiras, no Dia
Internacional de Combate às Tempestades de Areia e Poeiras, todos os
anos "cerca de dois mil milhões de toneladas de poeiras entram na
atmosfera, escurecendo os céus e prejudicando a qualidade do ar em
regiões que podem estar a milhares de quilómetros de distância, afetando
economias, ecossistemas, tempo e clima". Em
grande parte, tal deve-se a "uma má gestão da água e da terra",
assinala a OMM, agência da ONU, organização liderada pelo português
António Guterres que estima que pelo menos 25% das emissões globais de
poeiras têm origem em atividades humanas.De
acordo com o relatório hoje publicado, as concentrações médias de
poeiras aumentaram em 2023 no oeste da Ásia Central, no centro-norte da
China e no Sul da Mongólia face a 2022.No
ano passado, a tempestade de areia mais severa ocorreu em março na
Mongólia, atingindo uma área de mais de quatro milhões de metros
quadrados, incluindo 20 províncias da China.No
hemisfério sul, as concentrações de poeiras alcançaram o seu nível mais
alto em partes da Austrália Central e na costa oeste da África do Sul.De
acordo com a OMM, as regiões mais vulneráveis ao transporte de poeiras
de longa distância são o norte do oceano Atlântico tropical, entre a
África Ocidental e as Caraíbas, a América do Sul, o mar Mediterrâneo, o
mar Arábico, a baía de Bengala e o Centro-Leste da China.Em
2023, o pico anual estimado para a concentração média de poeiras
registou-se em algumas áreas do Chade, país no Centro-Norte de África
abrangido pelo deserto do Sara.No ano passado, em agosto, uma nuvem de poeiras do norte de África afetou a qualidade do ar em Portugal continental.As
poeiras com origem nesta região do globo voltaram em 2024 a afetar
Portugal, e com mais frequência, nos meses de março, abril e junho.Mas
nem tudo é mau, segundo a Organização Meteorológica Mundial, que,
citando um novo estudo, realça que a deposição de poeiras do Sara nas
águas do Atlântico favorece o crescimento de fitoplâncton (algas
microscópicas e cianobactérias), de que se alimentam peixes como o
atum-bonito, cuja captura aumentou entre as décadas de 1950 e 2020.