Ordem quer medidas para fixação de médicos qualificados nos Açores
10 de nov. de 2017, 16:09
— LUSA/AO online
“Melhorar
a qualidade da saúde e o acesso significa fixar aqui mais médicos, mas
médicos qualificados. Para a Ordem é importante que a qualificação dos
médicos esteja em primeiro lugar”, disse aos jornalistas o presidente da
Secção Regional do Sul da Ordem dos Médicos, Alexandre Lourenço, após
uma reunião com o secretário da Saúde dos Açores, Rui Luís, em Angra do
Heroísmo, na ilha Terceira.Para
o representante da Ordem, não há falta de médicos em Portugal, porque
atualmente estão nas faculdades de Medicina 12 mil alunos, mas é preciso
criar condições para que os Açores sejam atrativos. “Há
coisas que são muito simples, proporcionar alojamento para que um
médico que tenha uma renda de casa no Porto ou em Coimbra não tenha de
pagar duas rendas, porque uma renda no Porto custa 700 euros por mês,
aqui custa 500 e eles ganham 1.400. Por isso, se alguém quiser fazer
aqui um estágio de seis meses ou de colaborar não tem essa hipótese”,
sugeriu. O
secretário regional da Saúde disse, no entanto, que a tutela já está a
adotar estratégias de médio e longo prazos para fixar médicos.“Pela
primeira vez conseguimos fixar todos os médicos que terminaram o
internato no mês de abril. Em maio já tínhamos as autorizações. Os
concursos decorreram e já os fixámos. No continente e na Madeira isto
não aconteceu”, salientou Rui Luís.O
governante admitiu a possibilidade de criação de apoios de alojamento e
para creches por exemplo, mas também a criação de contratos parciais
para médicos que se mantenham em hospitais do continente português e a
criação de oportunidades de formação e investigação.Segundo
Alexandre Lourenço, ao contrário do que se passa noutras regiões do
país, nos Açores a medicina geral e familiar não é a especialidade com
maior carência de profissionais, mas há especialidades hospitalares com
falta de médicos.“Anestesiologia
é gravíssimo. E há algumas especialidades cirúrgicas ou muito técnicas
que, pela dimensão da região e pela dispersão, são difíceis de
implementar, como neurocirurgia”, exemplificou.Em
relação aos médicos de família, alertou para a necessidade de redução
das listas de utentes por médico, alegando que há profissionais que têm
apenas dez minutos para falar com cada doente.“Listas de 1.800 utentes e utentes às vezes envelhecidos ou com múltiplos problemas não são aceitáveis”, salientou.Segundo
o secretário regional, se os atuais internos de medicina geral e
familiar continuarem na região depois de terminarem a especialidade,
todos os açorianos terão médico de família até ao final desta
legislatura, reconhecendo, ainda assim, uma preocupação com a
necessidade de substituir médicos dessa especialidade com idade
avançada.Rui
Luís admitiu ainda negociar a redução das listas de utentes por médico,
mas só quando estiver resolvida a carência de profissionais nesta
especialidade.O
presidente da secção sul da Ordem dos Médicos criticou, por outro lado,
a dimensão das listas de espera cirúrgicas nos Açores, alegando que,
apesar de já terem sido criados programas específicos para resolver o
problema, é necessário elaborar “um plano de ação a longo prazo com
objetivos bem determinados anuais”. “Acho
que é gravíssimo termos 11 mil doentes nesta população em espera para
cirurgia e estarem há muitos anos à espera dessa cirurgia (…). As
prioridades clínicas felizmente são asseguradas, mas é dramático uma
pessoa estar à espera cinco anos para pôr uma prótese na anca ou ser
operado a uma catarata”, frisou.