Ordem pede plano integrado para a enfermagem e mais valorização dos profissionais
12 de mai. de 2025, 11:28
— Lusa/AO Online
“Nos últimos dois anos foram
dados alguns passos no caminho certo, como, por exemplo, a criação do
internato da especialidade e os aumentos salariais dos enfermeiros do
SNS [Serviço Nacional de Saúde]. Mas é preciso continuar”, escreve a
OE, num comunicado a propósito do Dia Internacional do Enfermeiro.Citado no comunicado, o
bastonário da Ordem dos Enfermeiros, Luis Filipe Barreira, lembrou que
estes profissionais de saúde “estão exaustos, mas não deixam de cuidar
com competência e humanidade”. “O que falta é o país cuidar deles com o mesmo empenho”, sublinhou.A
OE recorda que o país enfrenta uma carência estimada de mais de 14 mil
enfermeiros no SNS, com profissionais “exaustos, desmotivados e sujeitos
a um enorme desgaste” e, por isso, “muitos optam por abandonar o país
em busca de melhores condições laborais, reconhecimento profissional e
perspetivas de progressão”.A Ordem
associa-se ao apelo internacional lançado pelo Conselho Internacional de
Enfermeiros (ICN) e recorda que os dados deste organismo revelam que
os cinco principais fatores de emigração continuam a ser salários
baixos, condições de trabalho difíceis, falta de oportunidades de
progressão, desvalorização política da profissão e escassez de empregos
atrativos.“Portugal não está imune. O
envelhecimento das equipas, o recurso permanente a horas extraordinárias
– 5,6 milhões em 2024 no SNS — e a ausência de medidas estruturais de
retenção estão a comprometer a sustentabilidade da profissão”, refere
aquela estrutura profissional.Por outro
lado, acrescenta que a presença de enfermeiros em cargos de liderança “é
essencial” para melhorar os cuidados, gerir melhor os recursos e
garantir decisões adequadas às necessidades reais das pessoas. “No
entanto, continuam sub-representados naquelas funções, o que representa
um desperdício de conhecimento e experiência”, lamenta, lembrando que a
Organização Mundial de Saúde já alertou para esta lacuna e recomenda
que os enfermeiros integrem os espaços de decisão em saúde.Por
isso, a OE pede um plano integrado para a enfermagem, com metas
concretas e valorização efetiva do papel dos enfermeiros nos serviços,
nas decisões e na política de saúde.Numa
nota divulgada no seu ‘site’, a Direção-Geral da Saúde (DGS) diz que se
associa ao lema do Conselho Internacional de Enfermeiros - "Os nossos
Enfermeiros. O nosso Futuro. Cuidar dos enfermeiros fortalece as
economias" -, reafirmando a importância de investir na saúde, no
bem-estar, nas condições de trabalho e na segurança destes
profissionais.A DGS lembra que os
enfermeiros representam 61,8% dos profissionais de saúde em exercício na
Região Europeia da OMS, 89% são mulheres e 18% têm 55 anos ou mais. Refere
ainda que seis dos 36 países que relatam dados à OMS Europa têm uma
força de trabalho na qual mais de 30% dos enfermeiros já têm 55 anos ou
mais, sublinhando a necessidade de os proteger para garantir que
continuam a prestar cuidados de enfermagem “com qualidade, importantes e
valiosos”.Na mesma nota, reconhece que o
trabalho dos enfermeiros “promove a segurança dos cidadãos, os
resultados de saúde da população e o desenvolvimento económico”.