Ordem pede ao Ministério para rever carreira médica e melhorar condições no SNS
11 de dez. de 2017, 08:05
— Lusa/AO Online
“Todos os dias
recebo chamadas de médicos que já emigraram, pretendem emigrar ou
daqueles que vão trabalhar no setor privado. E o motivo tem a ver com
uma questão central que são as condições de trabalho, que envolvem
vários fatores que podem determinar a continuidade ou não das pessoas no
Serviço Nacional de Saúde (SNS)”, afirmou Miguel Guimarães à agência
Lusa.Um dos
principais fatores, segundo o bastonário, é a carreira médica, que
implica uma progressão e também um correspondente aumento remuneratório,
que tem estado “praticamente congelado”.“Nos
últimos anos a carreira médica não te tido aplicação prática”, declarou
o representante dos médicos, apelando ao ministro da Saúde para fazer
uma reforma, um reforço e uma aplicação prática da carreira médica.Miguel Guimarães entende que a carreira médica é essencial, nomeadamente para que os jovens especialistas possam ficar no SNS.Como
exemplo da falta de aplicação da carreira médica, o bastonário apontou o
caso do concurso hospitalar para médicos que terminaram a especialidade
em março e que, em meados de dezembro, não arrancou ainda.O
resultado é haver médicos especialistas e a cumprir essas funções
ganhando como internos, sendo que alguns destes clínicos já optaram por
emigrar ou foram exercer funções no privado, acrescenta Miguel
Guimarães.Além
da carreira médica, as condições de trabalho globais no SNS deixam os
médicos insatisfeitos, com o bastonário a reconhecer que a carga horária
no setor privado é mais reduzida, a pressão é menor e os equipamentos
são mais atualizados, ao mesmo tempo que os sistemas informáticos não
dificultam tanto o trabalho médico.A
insatisfação dos médicos com as condições de trabalho no SNS é
precisamente uma das conclusões do estudo “A carreira médica e os
fatores determinantes da saída do Serviço Nacional de Saúde (SNS)”,
realizado na região Norte de Portugal em colaboração com a Ordem dos
Médicos. Para o
bastonário, este estudo funciona também como uma “chamada de atenção”
ao ministro da Saúde, sendo que a Ordem pretende alargar esta análise às
outras regiões do país.