Ordem dos Nutricionistas lamenta inação sobre isenção do IVA nos alimentos básicos
28 de dez. de 2022, 12:44
— Lusa/AO Online
“Espanha soube
desencadear uma medida excecional, num momento excecional. Portugal não o
quis fazer. Esta é uma medida que deveria ter sido considerada no
Orçamento do Estado para 2023 para auxiliar as famílias portuguesas a
enfrentar os próximos tempos que, com a junção de inflação e crise
energética, não serão fáceis”, afirma a bastonária dos nutricionistas,
Alexandra Bento, em comunicado.
Alexandra Bento defende que o “Estado social tem deveres para com os
cidadãos e não deve, nem pode, deixar ninguém para trás”.Em
Espanha alimentos considerados de primeira necessidade, como o pão, a
fruta, o leite ou hortícolas e leguminosas passam a estar isentos de
IVA, enquanto alimentos como o azeite ou a massa contam com uma redução
do IVA (Imposto sobre o Valor Acrescentado) de 10% para 5%.
Na altura em que se discutia o Orçamento do Estado para 2023, a
bastonária da Ordem dos Nutricionistas propôs ao parlamento que
alimentos considerados essenciais, como pão, fruta e hortícolas,
deixassem de pagar IVA, para garantir o direito a uma alimentação
adequada da população, uma medida que considerou essencial para dar
resposta ao momento de crise energética e de inflação recorde que se
vive em Portugal. A proposta de reduzir o
IVA sobre os alimentos essenciais de 6% para 0% teve como base uma
diretiva europeia de abril que diz que cada país da União Europeia passa
a beneficiar de uma margem para poder rever a sua estrutura de taxas de
IVA em determinados produtos, para responder de uma forma mais adequada
aos problemas sociais da sua população.
Tendo por base esta possibilidade legal, a Ordem dos Nutricionistas foi
analisar o impacto que esta medida teria num cabaz com os produtos
necessários para “uma família típica portuguesa”, constituída por dois
adultos e um adolescente, fazer as refeições durante uma semana.Para
isso, realizou um levantamento dos preços dos alimentos em quatro
superfícies comerciais, entre os dias 27 e 29 de setembro, tendo em
conta os preços medianos, sem promoção, de acordo com o tipo de produto,
e cujo valor da taxa de IVA aplicada é de 6%.
Os produtos em causa são os considerados essenciais para uma
alimentação saudável, segundo a “roda dos alimentos”, nomeadamente pão,
arroz, massa, produtos hortícolas, fruta, leite, iogurte, queijo, carne,
peixe, ovos, leguminosas secas, leguminosas frescas, manteiga e azeite.“O
que conseguimos perceber é que, com o IVA atual, esta família típica
com este cabaz alimentar essencial (…) gastaria à volta de 126 euros por
semana, o que quer dizer que por mês seriam cerca de 545 euros e por
ano 6.594 euros”, disse Alexandra Bento em outubro à agência Lusa.Com
a isenção do IVA, esta família teria uma redução semanal no cabaz
alimentar de sete euros, uma redução mensal de 31 euros e uma redução
anual de 374 euros.Segundo a Ordem, o
impacto anual deste cabaz no orçamento líquido numa família com duas
pessoas a receber o Rendimento Mínimo Garantido é de 38%, podendo ser
reduzido em 3%, caso o IVA deixe de ser cobrado.