Ordem dos Médicos quer retoma de atividade assistencial nos Açores
Covid-19
29 de abr. de 2020, 09:27
— Lusa/AO Online
"É um documento genérico, com
coisas substancialmente importantes. A nossa principal preocupação em
relação ao documento é realmente a retoma da atividade assistencial em
segurança e completamente articulada com as unidades de saúde", afirmou a
presidente do Conselho Médico da Ordem dos Médicos nos Açores, Isabel
Cássio, em declarações à agência Lusa.A
Ordem dos Médicos é uma das entidades a quem o Governo dos Açores pediu
para contribuir no roteiro "Critérios Para Uma Saída Segura da Pandemia
Covid-19". Isabel Cássio salientou que a
situação dos casos de Covid-19 é "completamente diferente" em cada uma
das ilhas e em cada uma das especialidades clínicas. "Também
em cada especialidade a situação é diferente. Lembro que em termos de
oncologia as coisas mantiveram-se mais ou menos estáveis, enquanto em
outras atividades a atividade de rotina foi quase completamente
suspensa", disse. Isabel Cássio defendeu a
articulação com cada unidade de saúde e conforme as diferentes
especialidades para a criação de um "programa muito prático" que norteie
a retoma da atividade assistencial. "A
nossa sugestão é que [a retoma] seja articulada dentro de cada unidade
de saúde e dentro de cada unidade de saúde articulada com cada
especialidade. De maneira a que se faça um programa muito prático e
muito pragmático para retomar aquilo que não se fez durante este tempo",
apontou. A responsável pela Ordem dos
Médicos na região deu o exemplo do Hospital Divino Espírito Santo, em
Ponta Delgada, para destacar que as consultas e as cirurgias programadas
foram "substancialmente" suspensas. Os
motivos que levaram a esta suspensão - ter capacidade de resposta aos
doentes com covid-19 e a diminuição da afluência aos hospitais - já
estão "ultrapassados", segundo Isabel Cássio, uma vez que a capacidade
assistencial "nunca foi posta em causa" e que os circuitos entre os
doentes estão "completamente definidos". "Acho
que está na altura de fazermos esse plano e de voltarmos a recuperar
aquilo que não foi feito, sob pena de nos Açores se estar a passar o
mesmo que foi divulgado não só pela escola de saúde publica como pelo
estudo da Ordem dos Médicos", alertou. A
Ordem dos Médicos divulgou um estudo científico que aponta que o
excesso de mortalidade em Portugal desde o início da pandemia pode
chegar aos 4.000 óbitos, ou seja, que a mortalidade aumentou no último
mês devido a outras doenças que não a Covid-19.Isabel
Cássio indicou ainda que a Ordem dos Médicos dos Açores ainda não
emitiu a sua contribuição ao roteiro do Governo dos Açores. O
presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, disponibilizou na
passada sexta-feira um documento com os critérios para uma "saída
segura" da pandemia de covid-19, nas palavras do executivo regional.O documento irá ser alvo de contribuições de várias associações, entidades e de pessoas individuais que assim pretenderem.