Ordem dos Médicos quer plano para fixar e atrair médicos para o SNS
OE2025
19 de nov. de 2024, 18:02
— Lusa/AO Online
Esta
é uma das quatro medidas apresentadas pela OM à comissão parlamentar de
Orçamento, Finanças e Administração Pública e que incide em aspetos com
influência nas “diferentes dimensões de vida dos médicos”, como a
família, a formação, a investigação, a remuneração e carreira, o apoio à
decisão clínica e a proteção do ato médico, refere o documento
consultado pela Lusa.O documento
assinado pelo bastonário Carlos Cortes indica que as propostas foram
também remetidas aos grupos parlamentares, com vista ao seu eventual
acolhimento em sede de discussão e votação na fase de especialidade do
Orçamento do Estado.Quanto ao plano para
atrair e fixar médicos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), a proposta da
ordem prevê que seja aprovado pelo Governo nos primeiros três meses do
próximo ano, com as necessárias fontes de financiamento.O
plano proposto é composto por 13 pontos em várias áreas, entre os quais
a valorização das condições de trabalho dos médicos pela melhoria
remuneratória e pela criação de uma nova carreira, prevendo um regime
especial para determinados territórios, em função de classificação geral
a estabelecer das unidades de saúde do SNS por grau de carência de
clínicos.A OM pretende ainda que o plano
consagre um Fundo de Apoio para a Formação Médica Contínua, abrangendo
médicos de todas as especialidades, assim como a disponibilização a
todos os médicos de um sistema de apoio à decisão clínica, através de
uma plataforma informática credenciada e reconhecida.Uma
bolsa de horas remuneradas para investigação, apoios à habitação em
zonas carenciadas de médicos em articulação com as autarquias, o
reconhecimento do estatuto de desgaste rápido em determinadas situações e
um programa de apoio aos médicos portugueses residentes no estrangeiro e
que pretendam voltar ao país são outras das medidas previstas.Além
disso, a ordem pretende ver incluído no Orçamento do Estado a criação
de uma Comissão de Monitorização e Acompanhamento das Unidades Locais de
Saúde (ULS), que foram generalizadas este ano no país e que gerem os
hospitais e centros de saúde.Como
justificação dessa proposta, a OM alega a centralidade e complexidade do
processo de reforma das ULS, que precisa ser “convenientemente
monitorizada e apoiada junto dos seus principais agentes”.De
acordo com a proposta, a comissão seria composta por um coordenador e
uma equipa técnica com “reconhecida experiência nas áreas de gestão,
governação clínica e de saúde”, designada pelo diretor executivo do SNS
para um período de três anos, renovável.A
terceira medida apresenta pela OM aponta para que, em 2025, o Governo
promova programas de literacia e formação em saúde, com meios
financeiros necessários, enquanto que a quarta seria a criação de uma
estratégia para a sensibilização e prevenção de situações de assédio e
violência em contexto laboral.“Apresentada
pelo Governo a proposta de Lei do Orçamento do Estado para 2025, pode
constatar-se que o aumento previsto da dotação orçamental no setor da
saúde não é acompanhado de compromissos claros quanto à viabilidade
financeira de medidas e de respostas de que o SNS atualmente carece”,
refere Carlos Cortes no documento.