Ordem dos Médicos preocupada com INEM e pede reformas centradas nos doentes
Hoje 11:50
— Lusa/AO Online
“Portugal
precisa de um INEM forte, moderno e resiliente, capaz de se modernizar e
de responder às necessidades dos cidadãos”, porque “os doentes, e só os
doentes, são a medida do sucesso” da emergência pré-hospitalar,
considera a OM, em comunicado hoje divulgado. Os
médicos acompanham “com preocupação os dados recentemente divulgados
sobre o funcionamento do INEM” e consideram “essencial que o debate
público se centre naquilo que deve ser a prioridade absoluta de qualquer
sistema de emergência médica, a segurança dos doentes e os resultados
concretos alcançados”, por ler-se.Segundo o
relatório de atividade dos Centros de Orientação de Doentes Urgentes e
Meios de Emergência Médica do INEM, aprovado pelo conselho diretivo no
mês passado, a que a Lusa teve acesso, mais de 26 mil doentes críticos
não foram socorridos pelo INEM com os meios mais adequados em 2025, ano
em que a taxa de paragem das Ambulâncias de Emergência Médica (AEM)
melhorou, mas ainda ficou acima dos 38%.“O
debate sobre o INEM tem de deixar de estar centrado apenas na
organização interna do Instituto”, mas “o foco principal tem de estar
nos doentes”, porque um modelo eficaz “mede-se pela capacidade de
prestar uma resposta mais rápida, mais segura e mais eficaz a quem
precisa de ajuda”, referiu o bastonário da OM, Carlos Cortes, no
comunicado.Para a OM, a “emergência médica
avalia-se pelo seu objetivo essencial”, que é “garantir que cada pessoa
em situação crítica recebe, no momento certo, a resposta adequada à sua
situação clínica”.O relatório “mostra um
sistema sob elevada pressão”, com mais de 1,6 milhões de chamadas de
urgência em 2025, tendo sido realizados 1,44 milhões de acionamentos de
meios de emergência. “O relatório
identifica constrangimentos que merecem atenção, nomeadamente a pressão
sobre os recursos humanos, o défice de técnicos de emergência
pré-hospitalar face às necessidades operacionais, o recurso
significativo a trabalho extraordinário e limitações na operacionalidade
de alguns meios”, salientou a OM, recordando que os dados devem ser
analisados pelo “potencial impacto na resposta efetiva prestada”.No
entender da OM, “Portugal deve acompanhar, de forma transparente, os
tempos de resposta, os resultados clínicos dos doentes com patologias
tempo-dependentes, como o AVC, o enfarte, o trauma grave e a sépsis, e
todos os restantes indicadores essenciais da qualidade e segurança da
atividade pré-hospitalar”. Todos os
profissionais do setor devem estar envolvidos em “qualquer processo de
melhoria, mudança e reforma” do INEM, que deve dar prioridade à
“resposta no terreno, melhorar a articulação entre todos os
intervenientes e garantir mais qualidade e segurança para os doentes”,
acrescenta a instituição. O OM já tem
agendada para esta semana uma reunião com o presidente do INEM, “para
analisar os dados disponíveis, acompanhar as medidas em curso, conhecer
em concreto as mudanças previstas no âmbito da reforma e contribuir para
soluções que reforcem a emergência médica em Portugal”, a par de outras
reuniões com médicos que trabalham no setor.Segundo
o relatório, há um défice de 24% do quadro de pessoal, problemas de
operacionalidade das ambulâncias (em 38% dos casos não puderam sair por
falta de meios), entre vários problemas elencados. Globalmente,
os CODU receberam no ano passado 1.656.891 chamadas de emergência, uma
média de 4.539 chamadas/dia, um aumento de 11,2% face a 2024, o que se
traduz, em média, mais 468 chamadas atendidas por dia.