Ordem dos Médicos nos Açores defende "equidade de acesso" ao "Vale Saúde"
19 de dez. de 2019, 18:09
— Lusa/AO Online
“A
questão está simplesmente em fazer cumprir a portaria em dois pontos
importantes. Um é a equidade de acesso, ou seja, Vale Saúde para os
doentes mais antigos na lista e não para aqueles que têm cirurgias
supostamente mais rápidas. E, depois, a assunção pela entidade privada
de todas as despesas inerentes à cirurgia deste doente, conforme aquilo
que está legislado”, sublinhou a presidente do Conselho Médico da Ordem
dos Médicos nos Açores, Isabel Cássio, em declarações aos jornalistas.A
presidente do Conselho Médico da Ordem dos Médicos nos Açores falava
após ter sido ouvida, durante cerca de três horas, em sede de Comissão
de Assuntos Sociais da delegação de Ponta Delgada, em São Miguel, do
parlamento dos Açores.A audição surge no
âmbito de requerimentos do PPM e do PS, o primeiro “na sequência da
denúncia que a mesma fez a respeito da existência de relações de
promiscuidade entre o Serviço Regional de Saúde e os privados que operam
no setor”, e o segundo para “esclarecimento que se impõe relativamente
ao funcionamento e operacionalização do programa Vale Saúde”.Em
causa está uma notícia dada pela RTP/Açores segundo a qual a Clínica do
Bom Jesus, em Ponta Delgada, não trata de todo o processo cirúrgico do
programa "Vale Saúde", embora receba 100% da verba atribuída pela
região.Depois desta notícia, PSD e PPM
anunciaram pedidos de audição em sede de comissão, tendo o PS/Açores
também solicitado a mesma audição da secretária regional da Saúde e da
Ordem dos Médicos a propósito da alegada "promiscuidade" na execução do
programa.Hoje, a responsável da Ordem dos
Médicos nos Açores esclareceu aos deputados que “as informações chegaram
à Ordem através de denúncia médica”.“Não é
uma questão de alegada promiscuidade em termos de práticas médicas,
primeiro porque os médicos que estão a operar estes doentes nas
entidades privadas alguns deles nem trabalham para o sistema regional de
saúde. E aqueles que trabalham estamos em crer seguramente que o estão a
fazer fora do seu horário laboral e são completamente livres de
utilizarem os seus sábados ou as suas tardes para fazer atividade
privada”, salientou Isabel Cássio aos jornalistas.Segundo
a representante, “a grande preocupação da Ordem é sempre a
acessibilidade dos açorianos às cirurgias, às consultas e aos cuidados
de saúde”. Isabel Cássio reforçou que a Ordem dos Médicos “está preocupada com o acesso equitativo dos açorianos” ao “Vale Saúde”.A
entrada em funcionamento, no final da década passada, do "Vale Saúde"
"visou contribuir para a redução das listas de espera cirúrgicas na
Região Autónoma dos Açores, através da fixação de uma resposta célere e
eficaz", indicam documentos oficiais.O
programa, referiu anteriormente o executivo regional, "não é um fim em
si mesmo, mas um meio integrado num processo com uma abrangência maior",
o Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia da Região
Autónoma dos Açores.