Ordem dos Médicos diz que SNS atingiu nível crítico e pede intervenção do Governo
17 de jul. de 2025, 16:21
— Lusa/AO Online
“As
coisas não estão a correr bem. O SNS está com dificuldades. E quando o
SNS está com dificuldade e chega a este nível crítico de dificuldades,
aquilo que se impõe é, em primeiro lugar, encontrar soluções”, afirmou
Carlos Cortes. O bastonário falava aos
jornalistas após encontrar-se com o presidente da administração da
unidade local de saúde (ULS) Santa Maria, Carlos Martins, nas
instalações daquela unidade hospitalar, em Lisboa, e visitar os
respetivos serviços de Dermatologia e Ortopedia.“Não
chegam apenas as soluções. É preciso ter coragem para as implementar.
E, do meu ponto de vista, a situação hoje é uma situação de linha
vermelha”, sublinhou. Aos jornalistas,
Carlos Cortes disse temer que no futuro aconteçam, “cada vez mais,
situações dramáticas”, se não houver uma intervenção “eficaz, rápida e
corajosa”, da parte do Governo.“Já estou
um pouco cansado e penso que todos os portugueses estão cansados de
ouvir falar em soluções. Elas são importantes, mas aquilo que é
verdadeiramente importante é implementá-las, é concretizá-las, para as
coisas mudarem”, sustentou.O responsável
apelou ainda à Direção Executiva do SNS (DE-SNS) para que cumpra “o seu
papel de articulação e coordenação” do SNS.“Eu
julgo que a criação da DE-SNS foi (…) para coordenar o SNS. Aliás,
perdeu-se um pouco, esta designação inicial do CEO do SNS. Essa
designação desapareceu e eu queria que, efetivamente, a Direção
Executiva cumprisse com esse papel, que é absolutamente estratégico para
o país: coordenação dentro do SNS”, referiu.O
bastonário considerou que a DE-SNS “devia fazer o seu trabalho de forma
muito diferente” e que decisivo “ter os instrumentos adequados para
poder ajudar a resolver estas situações”.Carlos
Cortes lembrou que o SNS tem de ter uma “capacidade competitiva” e que
tem de “saber captar os médicos que estão disponíveis”.“Estamos
em 2025, não estamos em 1979, quando [o SNS] foi criado, quando a
resposta em saúde em Portugal era do SNS e havia pouco mais à sua volta.
Hoje à competição. Há competição do setor privado. Também há competição
do estrangeiro, que vem a Portugal recrutar médicos para os seus
sistemas de saúde, para os seus hospitais privados e públicos”,
observou.