Ordem dos Médicos defende medidas mais restritivas nos aeroportos
30 de jun. de 2020, 15:35
— Lusa/AO online
Em
declarações aos jornalistas, no final de uma visita ao hospital Doutor
Fernando da Fonseca (Amadora-Sintra), Miguel Guimarães, apontou para o
facto de os aeroportos dos arquipélagos dos Açores e da Madeira já terem
medidas mais restritivas e de tal ainda não se verificar em Portugal
continental.“A medição da temperatura vale
o que vale. Se a pessoa tomar o anti-inflamatório ou o antipirético
obviamente que a temperatura vai descer. Os inquéritos são muito
importantes, mas se alguém entrar doente aqui e não disser a verdade
pode fugir também à verdade”, alertou.Nesse sentido, o bastonário defendeu a necessidade de se proceder à realização de testes à chegada a território nacional.“A
questão de testes que alguns países estão a adotar à chegada é uma
solução interessante e uma solução para nós como país que tem também uma
vertente turística muito importante. Isto poderá ser importante para
garantirmos que não vão aparecer novos surtos, nomeadamente no Algarve”,
sublinhou.Miguel Guimarães defendeu,
igualmente, a necessidade de existir uma “maior coordenação” entre todas
as autoridades de saúde e a realização de mais testes e rastreios.“Nós
temos de fazer mais testes e os testes têm de ter um resultado rápido e
temos de fazer um rastreio mais fino, mais apurado para rapidamente
identificarmos as pessoas que estão infetadas e as podermos separar
daquelas que não estão infetadas, porque senão as pessoas continuam a
passar a infeção”, apontou.Relativamente à
coordenação, o bastonário considerou que os profissionais de saúde
“devem ser ouvidos” e não apenas aqueles que “têm a teoria”.“É
obrigatório, tal como aconteceu na primeira fase da pandemia, que os
profissionais de saúde que estão no terreno sejam ouvidos. Não chega
ouvir apenas pessoas que têm a teoria, mas não estão na prática, que não
estão no terreno e não estão a saber exatamente aquilo que está a
acontecer”, atestou.A pandemia de covid-19
já provocou mais de 505.500 mortos e infetou mais de 10,32 milhões de
pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela
agência francesa AFP.Em Portugal, morreram
1.576 pessoas das 42.141 confirmadas como infetadas, de acordo com o
boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.