Ordem dos Engenheiros apela a maior exigência na qualidade da construção
26 de ago. de 2024, 13:45
— Lusa
Em declarações à Lusa, o
presidente do colégio de Engenharia Civil da OE, Humberto Varum,
explicou que o edificado da sociedade portuguesa representa “um conjunto
muito complexo, com níveis de vulnerabilidade diversa”, face às épocas
distintas de construção ou aos diferentes materiais e conhecimentos
existentes, pelo que defendeu um maior rigor ao longo das fases de
projeto, construção ou manutenção.“Garantidamente,
teremos outros eventos sísmicos, portanto, vamos fazer um apelo à
sociedade em geral para o envolvimento nesta missão, que deve ser cada
vez mais exigente do ponto de vista da qualidade e do rigor de todos os
atos alinhados com a promoção da segurança sísmica”, afirmou.Para
o representante da OE, o sismo de hoje constitui “uma oportunidade”
para lançar um “debate rigoroso” entre os especialistas e as entidades
envolvidas nesta área e para fazer uma “reavaliação dos procedimentos
que são aplicados na construção e na reabilitação, eventualmente
revisitando algumas das exigências que se colocam”.Humberto
Varum deixou um “apelo à serenidade da população, mas não à
inatividade”, enfatizando também as diferentes dimensões pelas quais o
país deve preparar o risco para eventuais futuros sismos de maior
magnitude.“O risco sísmico associado a um
edifício, uma ponte ou outra estrutura será sempre o resultado de três
vetores importante: a perigosidade – há regiões do país onde a
probabilidade de acontecimento de determinados eventos sísmicos é maior;
outro vetor é a vulnerabilidade – a maior ou menor preparação de uma
estrutura para responder em segurança a determinado nível da ação
sísmica; e, finalmente, a exposição – traduz um valor económico da
infraestrutura e a ocupação (o número de pessoas que utilizam)”,
esclareceu, resumindo: “Para o risco associado a um edifício ou uma
região irão sempre contribuir esses três vetores”.Questionado
sobre o impacto deste sismo no edificado, o presidente do colégio de
Engenharia Civil da OE considerou que não se esperam danos muito
significativos, mas que tal realidade não deve inibir a sociedade de
atuar.“Vamos ter com certeza no futuro
outros sismos de maior magnitude, com outras características, e temos de
nos preparar”, finalizou.Um sismo de
magnitude 5,3 na escala de Richter com o epicentro localizado 58
quilómetros a oeste de Sines, no distrito de Setúbal, foi registado às
05:11 de dia 26 de agosto, sem causar danos pessoais ou materiais.O
sismo teve uma intensidade máxima de IV/V na escala de Mercalli,
classificada como moderada a forte, sendo seguido de pelo menos quatro
réplicas, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera. O abalo foi sentido em várias zonas de Portugal e com maior intensidade nas regiões de Setúbal e Lisboa.