Ordem dos Enfermeiros teme dificuldades nos cuidados paliativos nos Açores

Hoje 17:34 — Lusa/AO Online

“Eu tenho dúvidas que se consiga uma reorganização, pelo menos a breve trecho, dos cuidados paliativos nas ilhas sem hospital”, desabafou o presidente da Ordem dos Enfermeiros nos Açores, Pedro Soares, ouvido na Comissão de Assuntos Sociais do parlamento açoriano, reunida em Ponta Delgada.Lembrando que já existe nos Açores dificuldade em recrutar enfermeiros suficientes para assegurar a realização de todas as tarefas previstas no Plano Regional de Saúde, Pedro Soares afirmou que os cuidados paliativos vão obrigar a uma exigência ainda maior em termos de recursos humanos.“Se nós já temos dificuldades, em diversas ilhas, em ter o Plano Regional de Saúde a funcionar a 100%, com este acrescento, em termos de funções, eu tenho dúvidas que estas ilhas tenham capacidade para dar resposta”, insistiu.Pedro Soares foi ouvido pelos deputados a propósito de um diploma, proposto pelo Governo açoriano de coligação (PSD/CDS-PP/PPM), para a criação de uma rede de cuidados paliativos nos Açores que garanta apoio aos doentes com patologias graves, doenças neurológicas, cancro ou demências.“Nós já temos a especialidade de cuidados paliativos nos Açores. Aquilo que, infelizmente, os Açores não têm é o número de enfermeiros com esta especialidade que nós queríamos”, frisou o presidente da Secção Regional da Ordem dos Enfermeiros, recordando que na região existem apenas oito enfermeiros com esta formação, sete na ilha de São Miguel e um na ilha Terceira.No seu entender, a solução para este problema passa por assegurar formação adequada para os enfermeiros que pretendam especializar-se na área de cuidados paliativos, recordando que só não há mais profissionais com esta formação devido aos custos que lhe estão associados.“Há uma dificuldade muito grande, ao nível dos enfermeiros açorianos, em poderem aceder à formação pós-básica em cuidados paliativos. A maioria dos cursos são feitos a nível nacional, com custos elevados inerentes. Se já existem poucos enfermeiros nas instituições, dispensá-los para poderem fazer esta formação, torna-se difícil”, alertou.Também a Secção dos Açores da Ordem dos Médicos já tinha alertado, numa anterior audição parlamentar sobre esta matéria, para a dificuldade que será assegurar uma rede de cuidados paliativos em algumas ilhas da região, nomeadamente naquelas que não têm hospital, como é o caso do Corvo, das Flores, do Pico, de São Jorge, da Graciosa e de Santa Maria.Nos Açores há três hospitais: um em Ponta Delgada (São Miguel), um em Angra do Heroísmo (ilha Terceira) e um na Horta (Faial).