Ordem dos Enfermeiros quer reforço de segurança após agressão na ilha Terceira

4 de mai. de 2021, 17:44 — Lusa/AO Online

“Não há segurança no local onde cerca de 500 pessoas da ilha Terceira são seguidas e simplesmente não há forças de segurança à semelhança de outras instituições. Por exemplo, em São Miguel, na instituição que faz o mesmo trabalho, a Arrisca, existem dois agentes da PSP diariamente à porta”, adiantou, em declarações à Lusa, o presidente da secção regional da Ordem dos Enfermeiros, Pedro Soares.A agressão, denunciada em comunicado de imprensa, ocorreu na semana passada, a um enfermeiro do programa Percursos, responsável pelo tratamento por substituição de opiáceos na ilha Terceira.“Foi um utente que não quis aceitar algumas das indicações que o enfermeiro estava a dar e, com a ajuda de um segundo utente, partiu para a agressão do profissional de saúde”, relatou Pedro Soares.O responsável regional da Ordem dos Enfermeiros disse que é a primeira vez que tem conhecimento de um caso de agressão naquela instituição, mas salientou que a violência contra profissionais de saúde tem vindo a aumentar nos Açores.“Nos últimos meses, principalmente no último ano, já recebemos algumas denúncias por parte de alguns enfermeiros, o que nos faz pensar que os casos têm aumentado nos últimos tempos”, disse.Entre os exemplos dados por Pedro Soares estão situações ocorridas em centros de vacinação contra a Covid-19 e de testagem da infeção por SARS-CoV-2.“Nós pensamos que tem a ver com a dinâmica da própria sociedade, com o facto de as pessoas estarem um pouco cansadas de toda esta situação, agora isto não pode servir de desculpa e não podemos tolerar de maneira nenhuma que seja esta a desculpa para terem comportamentos menos dignos para com os profissionais de saúde”, sublinhou.Segundo o presidente da secção regional da Ordem dos Enfermeiros, a equipa do programa Percursos já tinha alertado para a necessidade de segurança no espaço.“Aquilo que nos foi transmitido na nossa visita é que houve algum desinvestimento nos últimos anos nesta área na ilha Terceira, o que fez com que não fossem atendidas algumas questões já denunciadas pela equipa, nomeadamente falta de enfermeiros e de segurança”, salientou.Pelas contas da Ordem, este programa deveria contar com sete enfermeiros, mas tem apenas três ao serviço.“Nós tememos que isto se repita, porque aquilo que nos dizem nos últimos tempos é que tem vindo a aumentar. Numa população tão específica como esta, facilmente esta situação poderá acontecer novamente e nós não temos dúvidas de que a única forma de ultrapassar isto é que haja segurança efetiva no local”, alertou Pedro Soares.