Ordem dos Arquitetos diz que é preciso ponderar reconstrução de algumas casas e povoações
18 de out. de 2017, 18:12
— Lusa/AO online
"Após
os incêndios de Pedrógão houve um enorme movimento de voluntariado, que
inclui arquitetos, no sentido de acudir a estas questões de maior
urgência, à necessidade das pessoas de reconstruírem as casas e
povoações, mas nós queremos ir mais longe, queremos saber e discutir se
devem ser reconstruídas naquelas circunstâncias, porque, para estar a
repetir os erros, não vale a pena estar a investir", disse.O
vice-presidente da Ordem dos Arquitetos falava à agência Lusa na
sequência de um comunicado da Ordem dos Arquitetos, que defende a
"implementação urgente de uma Política Nacional de Arquitetura e
Paisagem" e que se disponibiliza "para trabalhar com todas as entidades
competentes no sentido de melhorar a eficácia do sistema de ordenamento
do território".A Ordem dos Arquitetos considera também que "é
altura de reconhecer como necessária e imperiosa uma profunda alteração
na gestão do território, ao nível da legislação que a enquadra, bem como
na promoção da cultura territorial e das práticas de ordenamento".Segundo
Daniel Fortuna, a Ordem dos Arquitetos tem vindo a debater estas
questões em diversos encontros com outros profissionais, ligados às
questões do ordenamento do território, para elaboração de um documento
conjunto que pretendem entregar ao Governo até final do ano. "O
que nós pretendemos é que, de alguma forma, estas coisas sofram uma
inflexão, que partam também das classes profissionais que estão
envolvidas no ordenamento do território - os arquitetos, os engenheiros,
os paisagistas, os geógrafos - e que estes apresentem, conjuntamente,
as suas propostas às instâncias governamentais", disse."A
importância disto é ver essas propostas refletidas nas opções do Governo
e no Orçamento de Estado, porque estas coisas fazem-se com verbas. Ou
há interesse do Governo em alterar o ordenamento territorial para poder
precaver uma série de fatores que, neste momento, são imprevisíveis
devido às alterações climatéricas, ou não [há interesse]. Mas pensamos
que sim, que há, e que a bondade das nossas propostas irá vingar",
concluiu o vice-presidente da Ordem dos Arquitetos.As centenas de
incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia de fogos do ano
segundo as autoridades, provocaram 42 mortos e cerca de 70 feridos, mais
de uma dezena dos quais graves.Os fogos obrigaram a evacuar
localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas
de estradas, sobretudo nas regiões Norte e Centro. O Governo decretou três dias de luto nacional, entre terça-feira e quinta-feira.Esta
é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos este ano,
depois de Pedrógão Grande, em junho, em que um fogo alastrou a outros
municípios e provocou, segundo a contabilização oficial, 64 mortos e
mais de 250 feridos. Registou-se ainda a morte de uma mulher que foi
atropelada quando fugia deste fogo.