Ordem dos Advogados apoia decisão de tribunal sobre quarentena nos Açores
16 de mai. de 2020, 16:55
— LUSA/AO online
Em nota enviada à agência Lusa, o bastonário
dos advogados, Luís Menezes Leitão refere que a Ordem tomou conhecimento
que “foi julgada procedente uma providência de ‘habeas corpus’ contra a
medida do Governo Regional dos Açores de colocar todos os que se
deslocam aos Açores em quarentena obrigatória num hotel, privando-os de
qualquer contacto com a família ou até da possibilidade de regressar ao
continente, sendo que, no caso dos não residentes nos Açores, os obriga
ainda a pagar a conta do hotel”.Em causa
está uma iniciativa de um queixoso que foi colocado em quarentena
obrigatória numa unidade hoteleira em Ponta Delgada e avançou com um
'habeas corpus', que foi entregue à juíza de instrução criminal do
Tribunal de Ponta Delgada que, por seu turno, desencadeou os mecanismos
legais.Tendo sido “alertada para a
arbitrariedade dessa medida” por um magistrado residente nos Açores, a
Ordem dos Advogados, através da sua Comissão de Direitos Humanos,
“procurou imediatamente resolver a situação”, tendo apoiado o advogado
Pedro Gomes, que interpôs a providência de ‘habeas corpus’ em defesa do
seu constituinte “arbitrariamente detido num hotel, tendo conseguido que
essa providência de ‘habeas corpus’ fosse julgada procedente, o que
obriga ao fim desta detenção ilegal”.Segundo
a Ordem, da parte dos “restantes órgãos de soberania nada foi feito
para terminar com estas detenções ilegais, apesar de delas terem pleno
conhecimento, tendo o senhor primeiro-ministro se limitado a recomendar
aos cidadãos do continente que não se deslocassem aos Açores”.Foi
por isso apenas um advogado que, em defesa do seu constituinte, reagiu e
conseguiu terminar com a detenção arbitrária a que este foi sujeito.
Deve por isso o país ter presente que os advogados estão disponíveis e
prontos a defender os cidadãos que sejam lesados por acusações
arbitrárias das autoridades, podendo qualquer cidadão recorrer a um
advogado para esse efeito.Para a Ordem dos
Advogados, uma vez levantado o estado de emergência, os direitos
fundamentais dos cidadãos “voltam a estar plenamente em vigor e não
podem ser limitados por medidas arbitrárias”, estando garantido o
recurso aos tribunais contra essas medidas. Até
ao momento, já foram detetados nos Açores 145 casos de infeção,
verificando-se 105 recuperados, 16 óbitos e 24 casos positivos ativos
para infeção pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, que causa a doença
covid-19, dos quais 16 em São Miguel, dois na Graciosa, um em São Jorge,
três no Pico e dois no Faial.Portugal
regista hoje 1.203 mortes relacionadas com a covid-19, mais 13 do que na
sexta-feira, e 28.810 infetados, mais 227, segundo o boletim
epidemiológico divulgado hoje pela Direção Geral da Saúde.