Ordem alerta para 300 doentes oncológicos sem consultas em hospital
28 de out. de 2021, 18:43
— Lusa/AO online
Numa
conferência de imprensa realizada na sede da ordem em Ponta Delgada,
Margarida Moura disse encarar a situação da unidade de oncologia do
Hospital Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, com “grande
preocupação” devido ao “burnout dos médicos” e à “dificuldade no acesso
dos doentes às consultas”.Segundo
disse, existem seis médicos de oncologia nos quadros do HDES, sendo que
dois estão de atestado e outros dois estão com o “horário reduzido
devido a licenças de maternidade e paternidade”, pelo que “sobram dois
médicos a tempo inteiro”.“Os
outros colegas asseguraram as consultas de doentes que estão em
hospital de dia, mas as consultas de vigilância não foram realizadas por
manifesta incapacidade. Há 300 doentes que estão há meses sem consultas
e sem seguimento”, declarou.Margarida
Moura revelou que “houve uma semana em que só esteve um oncologista a
trabalhar” naquele hospital da ilha de São Miguel.A
presidente da Ordem dos Médicos nos Açores alertou para o “esforço
acrescido” dos médicos do serviço de oncologia, que “têm de assegurar as
diferentes atividades clínicas do serviço”.“Só
para terem um exemplo da sobrecarga de trabalho a que estes médicos têm
estado sujeitos, houve dias em que um dos médicos [agora] em ‘burnout’
chegou a observar em consulta entre 45 a 60 doentes de oncologia. Isso é
uma enormidade. Ninguém aguenta isto”, apontou.Salientando
que alguns dos atestados “são de longa duração”, Margarida Moura
defendeu que deveriam ser contratados mais médicos oncologistas.“Sabemos que num médico em cansaço extremo a possibilidade de ocorrer em erros é muito maior”, lembrou.Questionada sobre
as responsabilidades da administração do Hospital, Margarida Moura
afirmou que o “primeiro atestado de burnout” foi uma “consequência de
atitudes que a administração teve para com o responsável da unidade” de
oncologia.Segundo
a RTP/Açores, o responsável pela unidade de oncologia do HDES, Rui
San-Bento, pediu uma baixa médica devido a ingerências e “atropelos” à
sua gestão por parte da direção clínica do hospital.“A
ordem pediu uma reunião ao diretor clínico a 13 de outubro,
precisamente para debater e manifestar a sua preocupação para com a
unidade de oncologia médica. Até hoje, 28 de outubro, não obteve
qualquer resposta”, revelou Margarida Moura.A presidente da Ordem dos Médicos nos Açores alertou “para a necessidade de diálogo” entre a direção clínica e os médicos.Margarida
Moura disse ter a informação de que o HDES contratou “pontualmente” uma
médica oncologista para observar 60 doentes em dois dias na “próxima
semana”.“Não
há conhecimento de que haja um plano para a vinda regular de
oncologistas para observar os doentes em atraso. Nem há conhecimento se
esta médica que virá durante dois dias irá regressar posteriormente”,
concluiu.Ao
longo dos últimos meses têm sido conhecidas várias divergências entre
funcionários e a administração do Hospital de Ponta Delgada, o que levou
o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, a defender a
necessidade de corrigir alguns “problemas” na gestão da unidade.