Orçamento Suplementar da Madeira aprovado na generalidade com abstenção da oposição
Covid-19
22 de jul. de 2020, 16:49
— Lusa/AO Online
As
duas propostas foram debatidas no plenário da Assembleia
Legislativa da Madeira, estabelecendo a do Orçamento Suplementar da
Madeira um reforço de 287,7 milhões de euros face ao valor aprovado para
2020.O Orçamento Regional para este ano
passa dos 1.743 milhões de euros para 2.030,7 milhões, de forma a fazer
face aos problemas provocados pela crise pandémica da covid-19.Quanto
ao Plano de Investimento da Região Autónoma da Madeira (PIDDAR) para
2020, inicialmente orçado em 548 milhões de euros, será reforçado em 149
milhões, verba que se destina, sobretudo, a apoiar a competitividade e a
internacionalização das empresas.A discussão na especialidade e a aprovação final dos documentos decorrem na quinta-feira.O
presidente do Governo Regional, de coligação PSD/CDS-PP, Miguel
Albuquerque, disse, na intervenção final, que o Orçamento Suplementar
visa "acomodar" uma série de medidas e despesas resultantes do impacto
socioeconómico da covid-19 e evitar o "colapso total" da região. Albuquerque
sublinhou que o orçamento não é um plano de recuperação económica,
vincando que esse será apresentado em breve no parlamento regional, e
reforçou que todos os apoios concedidos pelo executivo deste o início da
pandemia foram "à custa do orçamento regional", criticando, uma vez
mais, a falta de solidariedade do Governo da República. "Triste
é assistir ao discurso do maior partido da oposição [o PS], que fala de
um mundo paralelo, uma lengalenga que não leva a nada", declarou, face à
intervenção do deputado socialista Sérgio Gonçalves, o qual destacou a
falta de "plano e estratégia" expressa no Orçamento Suplementar. "Tenha
calma que o plano vai ser apresentado. Este orçamento visa apenas
acomodar despesas resultantes da pandemia", esclareceu o chefe do
executivo, criticando, por outro lado, o plano de recuperação económica
para o país, elaborado por António Costa Silva, por apontar apenas para a
Madeira a instalação de um polo de uma universidade sediada no Açores. "Polos, aqui, na Madeira, só camisas", ironizou.Miguel
Albuquerque criticou também o PS por não expressar a sua posição face à
recusa do Estado em dar o aval ao empréstimo de 489 milhões de euros
que o governo está autorizado a contrair, bem como sobre a sua
indefinição quanto à moratória da próxima prestação da dívida da região,
no valor de 48 milhões de euros. "O PS revela uma cobardia recorrente relativamente aos senhores do Terreiro do Paço", afirmou. O
deputado socialista Sérgio Gonçalves insistiu que o Orçamento
Suplementar e o PIDDAR não englobam uma estratégia nem um plano de ação
para assegurar a retoma económica do arquipélago, vincando que os
documentos mais não fazem do que "alocar mais despesas". O
socialista apontou a "falta de incentivos específicos" para os setores
mais afetados, sobretudo o turismo, que é basilar na economia regional,
mas cuja recuperação se prevê muito lenta. Jaime
Filipe Ramos, do PSD, disse, por seu lado, que o Orçamento Suplementar
só é possível porque o Governo vai reprogramar os investimentos e
contrair um empréstimo de 489 milhões e criticou a "insensibilidade" e
"falta de solidariedade" do Estado."A Madeira tem sido abandonada pela República", disse, reforçando: "A falta de vontade política de Lisboa é clara".O
deputado do CDS-PP Lopes da Fonseca sublinhou, também, a indiferença do
Governo da República face aos impactos da crise pandémica na Madeira e
destacou que o sucesso até agora obtido resulta da atuação do Governo de
coligação e da resiliência do povo ilhéu. "Se
a região ficasse à espera da solidariedade do Estado, do Governo da
República e do PS, de lá e de cá, já todos os setores tinham colapsado",
disse.Paulo Alves, do JPP, justificou a
abstenção considerando que o Orçamento Suplementar apenas reflete
"promessas eleitorais" que estão por cumprir, deixando de parte a
resolução de "problemas que se avolumam" face à crise gerada pela
covid-19, nomeadamente no setor da saúde. O
deputado único do PCP, Ricardo Lume, afirmou, por seu lado, que o
orçamento é "insuficiente" para dar "resposta cabal" às contingências
socioeconómicas geradas pelo novo coronavírus, indicando que o partido
vai apresentar 33 propostas de alteração na especialidade, para garantir
que esta não seja mais uma "oportunidade perdida" nem mais um "cheque
em branco" do Governo aos grandes grupos económicos.