Orçamento regional começa hoje a ser debatido perante ameaça de chumbo
22 de nov. de 2021, 10:15
— Lusa/AO Online
Depois
de, no início do mês, a Iniciativa Liberal (IL) ter ameaçado rasgar o
acordo com o PSD e votar contra o Plano e Orçamento, na quarta-feira o
líder nacional do Chega, André Ventura, pediu ao deputado único do
Chega/Açores, José Pacheco, para retirar o apoio à coligação de Governo.Perante
a ameaça de chumbo do Orçamento, dissolução do parlamento e realização
de eleições legislativas regionais antecipadas, cerca de um ano depois
de o Governo ter tomado posse, Pacheco disse, na sexta-feira, que o seu
partido tem de ser tratado “com respeito” a nível nacional e regional,
frisando que “tudo” pode acontecer ao Orçamento, cuja votação na
generalidade está prevista para quinta-feira.O
deputado indicou estar em negociações sobre as condições do Chega para
viabilizar as contas que começam hoje a ser debatidas no parlamento
regional, na cidade da Horta, ilha do Faial.A
proposta final do Orçamento para 2022 do Governo Regional, entregue no
início do mês na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores
(ALRAA), é de dois mil milhões de euros, 800 milhões dos quais
destinados a investimento.O endividamento, que na anteproposta se situava nos 295 milhões de euros, desceu para os 170 milhões.Será
preciso baixar mais, entre “15 a 20 milhões de euros”, se o Governo
Regional quiser contar com o voto favorável da IL, avançou à Lusa o
deputado único daquele partido, Nuno Barata.Num
parlamento com 57 eleitos, a coligação de direita tem 26 deputados,
pelo que está dependente de mais três parlamentares para ter maioria
absoluta.PS (25 deputados), BE (dois) e
PAN (um), que juntos representam 28 deputados, já revelaram que votam
contra o Orçamento Regional para 2022.O
deputado independente Carlos Furtado disse na sexta-feira que vai
"honrar" o seu "compromisso" firmado com o Governo na votação do
Orçamento.Furtado foi eleito pelo Chega, mas passou a independente após perder a confiança política do líder nacional do partido.Quanto
a José Pacheco, apontou como uma das condições para manter o apoio ao
Governo a revisão do acordo de incidência parlamentar assinado com a
coligação PSD/CDS-PP/PPM após as eleições legislativas regionais de
2020.Pacheco referia-se ao acordo que, a
par do que foi assinado entre a IL e o PSD, foi necessário para garantir
a maioria absoluta parlamentar da coligação de Governo.Os
compromissos de estabilidade foram o que levou o representante da
República, Pedro Catarino, a indigitar José Manuel Bolieiro como
presidente do Governo Regional em 07 de novembro de 2020.O
deputado do Chega/Açores indicou ainda que a continuidade do apoio ao
Governo depende de uma remodelação governativa, do aumento da
fiscalização aos beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI),
de uma “solução definitiva” para que a companhia aérea açoriana SATA
deixe de ser “sorvedouro de dinheiros públicos” e da criação de um
gabinete anti-corrupção, entre outros aspetos. O
Governo dos Açores anunciou na sexta-feira a realização de uma
conferência sobre a corrupção, a primeira iniciativa do Gabinete de
Prevenção da Corrupção e da Transparência (GPCT), uma proposta do Chega.A
informação foi divulgada depois de o presidente do Governo Regional,
José Manuel Bolieiro, ter dito aos jornalistas que a situação política
na região colocava em causa a “credibilidade da política e dos
políticos”, indicando que o executivo não pode vacilar por “questões de
protagonismo, muito menos de origem distante”.No
dia anterior, o líder da bancada social-democrata no parlamento
açoriano, João Bruto da Costa, defendeu que a região atravessava um
momento de “diálogo democrático” frutífero.O
social-democrata destacou tratar-se de algo “pouco habitual” nos
Açores, antes de ser eleita uma assembleia legislativa “sem maiorias
absolutas”, referindo-se à liderança da Região pelo PS durante mais de
20 anos.Na quarta-feira, o líder do
CDS-PP/Açores e vice-presidente do Governo Regional manifestou-se
“tranquilo” com a orientação da Direção Nacional do Chega de retirar o
apoio ao executivo, sublinhando que as estruturas partidárias regionais
“têm autonomia”.O poder de dissolução da Assembleia Legislativa Regional está nas mãos do Presidente da República.