Orçamento dos Açores assente num “cenário macroeconómico mal elaborado”
19 de abr. de 2021, 16:53
— Lusa/AO Online
“Este
Orçamento e Plano assenta num cenário macroeconómico mal elaborado e que
contém erros técnicos básicos, que descredibiliza os documentos aqui em
debate e a sua consistência”, afirmou o socialista.Sérgio
Ávila intervinha na Horta, na Assembleia Legislativa dos Açores,
na discussão do Plano e Orçamento a região para 2021.Segundo
o socialista e antigo vice-presidente do Governo Regional, a proposta
de Plano e Orçamento prevê um “crescimento real do PIB de 3,6%”, o que é
“impossível e incoerente”, uma vez que o “mesmo cenário macroeconómico
prevê um crescimento nominal do PIB de 3% e um deflator do PIB de 0,9%”.Assim
sendo, Sérgio Ávila defendeu que, face aos indicadores previstos no
cenário macroeconómico, a “taxa de crescimento real do PIB será de
apenas 2,1%, ou seja, um desvio de 42%, quase metade do anunciado”.“Este
erro técnico implicará alterar todas as projeções orçamentais, tendo em
conta que, sendo mal calculado o crescimento do PIB real, foi mal
ponderado o impacto da evolução da economia na estrutura orçamental”,
reforçou.O socialista afirmou que a
proposta de Plano e Orçamento demonstra que o Governo dos Açores, de
coligação PSD/CDS-PP/PPM, “não pondera, nem se preocupa” com o futuro da
região.“Não é um Plano e Orçamento
sustentável no futuro, nem assente numa estratégia de desenvolvimento da
nossa região, visa apenas obter um efeito político imediato de garantir
uma maioria parlamentar que os açorianos se recusaram a atribuir”,
apontou.Ávila considerou que o Orçamento
propõe uma “redução estrutural das receitas próprias” e um aumento das
“despesas fixas” da região.O socialista
considerou ainda que, caso os documentos sejam aprovados, o investimento
público na região “ficará dependente” de fundos comunitários ou do
endividamento.“Este orçamento está
empolado à partida, por receitas extraordinárias deixadas pelo anterior
governo ou que são resultantes da devolução de receita à região, que não
se irão repetir nos anos seguintes”, realçou.O
parlamentar socialista disse ainda que a proposta de redução fiscal
proposta pelo executivo açoriano vai “aumentar as desigualdades sociais e
reduzir a coesão social” nos Açores.“Esta
proposta, pela sua dimensão e abrangência, não constitui um choque
fiscal sendo, ao mesmo tempo, profundamente injusta na sua distribuição e
irá beneficiar essencialmente quem mais ganha”, afirmou.Durante
esta semana está a decorrer na Assembleia Regional, no Faial, a
discussão do Plano e Orçamento dos Açores para 2021, que serão votados
na sexta-feira.