Orçamento da Madeira para 2021 aprovado com abstenção de PS e JPP e voto contra do PCP
15 de dez. de 2020, 18:35
— Lusa/AO Online
A
proposta do Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da
Região Autónoma da Madeira (PIDDAR), na ordem dos 800 milhões de euros,
teve a mesma votação.As propostas serão
agora debatidas na especialidade, quarta e quinta-feira, tendo sido
apresentadas até ao momento quase 270 propostas de alteração.O
maior grupo parlamentar da oposição, o PS, que tem 19 parlamentares,
apresentou 75 propostas de alteração, os três elementos do JPP
apresentaram 35 e o PCP, com um deputado, entregou 158 propostas.A votação final global está agendada para sexta-feira.Discursando
no encerramento do debate na generalidade, no Funchal, o presidente do
Governo da Madeira, Miguel Albuquerque, criticou o que classificou “de
indecência política, decisão separatista e antipatriótica” e a “pouca
vergonha” do Governo da República, que “teve o desplante de discriminar a
região em plena crise pandémica”.O chefe
do executivo insular, de coligação PSD/CDS, referia-se ao facto de a
República ter recusado a prorrogação das duas prestações do empréstimo
do programa de ajustamento da região e o aval para negociar um
empréstimo de 458 milhões de euros com a banca.O
governante social-democrata também destacou que o Orçamento Regional
para 2021 (OR2021) “consubstancia o maior volume de apoio às empresas,
famílias, idosos nesta região” e a “maior redução fiscal de sempre”,
para apoiar o tecido empresarial e os madeirenses.Insistiu
que o Governo Regional adotou medidas preventivas eficazes “por
antecipação” e apoios para combater a pandemia da covid-19, mesmo “sem
nenhuma solidariedade do Estado e a total indiferença do Governo
nacional”.Miguel Albuquerque sublinhou que
“a crise pandémica não acabou” e, por isso, antecipou que ainda vai
haver "uma fase muito complicada”, assegurando que o Governo Regional
“está preparado”.O deputado e líder do
PS/Madeira, Paulo Cafôfo, admitiu que o Orçamento Regional tem “algumas
boas propostas”, embora não seja “bom, porque não responde às reais
necessidades” da região."Não é um
orçamento excecional”, disse, argumentando que é “uma cópia do passado,
uma fotocópia gasta com 40 anos de governação do PSD” no arquipélago,
que segue “a mesma cartilha da governação, presa a interesses
económicos”.Anunciou que a posição do PS,
maior partido da oposição, na votação final global, agendada para
sexta-feira, vai depender da aceitação das propostas de alteração
apresentadas.Por seu turno, Ricardo Lume,
do PCP, declarou ser “frontalmente contra” o OR2021 e o PIDDAR por estes
documentos conterem “propostas limitadas para dar resposta aos
problemas da região e ao modelo da precariedade em benefício dos grupos
económicos”.“É um orçamento de injustiça
social e fiscal e de fachada social”, disse, lamentando que sejam
operacionalizadas reduções de 30% de IRC e da derrama às grandes
empresas, “pervertendo o princípio da justiça social”.O
líder parlamentar do JPP, Élvio Sousa, considerou que o OR2021 é “um
instrumento que pretende atenuar os efeitos negativos da pandemia” e
“escolheu bem o caminho do desagravamento fiscal”, embora tenha ficado
“muito longe da plenitude autonómica”, nomeadamente ao não implementar a
redução do Imposto Sobre o Valor Acrescentado (IVA).O
deputado também disse que o executivo madeirense “esteve bem nas
medidas de combate à pandemia”, mas criticou o atual Governo Regional
por ser “despesista, gastador, tendo muitas bocas para dar de comer”.Por
seu lado, o líder parlamentar do CDS, Lopes da Fonseca, considerou que
este é “um bom Orçamento e um bom Plano”, lembrando os 344 milhões de
euros afetos ao combate aos efeitos da pandemia. Jaime
Filipe Ramos, presidente da bancada do PSD, afirmou que este “é um
orçamento de esperança perante uma realidade diferente e um futuro
incerto, que aposta nas medidas de apoio às consequências da pandemia e
no desenvolvimento da região”, criticando igualmente a falta de apoio da
República.“Precisamos de mais autonomia.
Não podemos depender do Estado e do centralismo de Lisboa”, adiantou,
mencionando que “o atual Presidente da República tem apresentado algumas
fragilidades no papel de moderador e que no novo mandato nada poderá
ficar igual”.