Orçamento da Madeira com 518,7 ME para a Educação, Ciência e Tecnologia
17 de jun. de 2025, 12:32
— Lusa/AO Online
“O Orçamento
Regional tem uma dotação de 518,7 milhões de euros, o que representa um
aumento de quatro por cento, num total de 19 milhões de euros”, em
comparação com o anterior, disse o secretário madeirense, Jorge
Carvalho, em sede de discussão na especialidade das propostas de
orçamento e plano de investimentos.Na
reunião conjunta da 1.ª comissão especializada permanente de Política
Geral e Finanças da Assembleia Legislativa da Madeira, o governante
insular opinou que “a proposta em discussão consagra condições
indispensáveis para que o Programa de Governo Regional (PSD/CDS-PP) seja
executado”.“Sempre adotámos, muito
claramente, uma posição antagónica às pretensões irrealistas daqueles
que, neste tipo de discussão, exigem ‘tudo’ e ‘imediatamente’, como se
enunciar problemas, muitas vezes de modo desfocado, e não atender aos
limites das disponibilidades financeiras, fosse a melhor contribuição
para uma eventual melhoria do orçamento”, argumentou o responsável.Salientou
que o Programa do Governo se concretiza em quatro anos e os orçamentos
são para cada ano, mencionando que a proposta orçamental reserva 471,5
ME para funcionamento e 47,2 ME para o plano de investimento.Jorge
Carvalho enunciou que a Educação tem alocado “um valor superior em 19,6
ME” e plasma “a recuperação integral do tempo de serviço dos
professores”, além da “vinculação extraordinária de 230 docentes”.“As
opções adotadas e o respetivo suporte financeiro permitem a
continuidade do investimento que, ano após ano, tem reduzido
drasticamente as taxas de insucesso escolar, elevando significativamente
o número de conclusões da escolaridade obrigatória em idade ideal e o
número daqueles que acedem ao ensino pós-secundário”, vincou.O governante atestou que a Madeira “não tem abandono escolar”.O
secretário enunciou que no orçamento estão reservados 4,8 ME para
bolsas de estudo, 24,5 ME para a área da ciência e tecnologia, o “que
viabiliza a retenção de talento numa região ultraperiférica”, e 17,9 ME
para setor desportivo.Ainda afeta 10 ME
para o Conservatório - Escola das Artes, 32 ME para a qualificação
profissional e 6,6 ME para a Escola de Hotelaria da Madeira.Durante
do debate, o JPP, o maior partido da oposição madeirense, com 11
deputados, considerou que o secretário regional tenta “camuflar a
realidade”, vincando que o modelo do executivo para o setor da Educação
“falhou”, ao passo que a bancada do PS alertou para o desinvestimento na
área do ensino técnico-profissional.Já o
grupo parlamentar do Chega questionou o investimento no campo da ciência
e tecnologia, com 29,6 milhões de euros, e levantou dúvidas sobre o
desempenho da ARDITI - Agência Regional para o Desenvolvimento da
Investigação, Tecnologia e Inovação, considerando que poderá estar a ser
usada como “expediente para absorver verbas públicas”. Na
resposta, Jorge Carvalho afirmou que a Madeira tem “um governo que
valoriza a carreira docente” e, apesar de a oposição ter derrubado o
executivo, com a aprovação da moção de censura do Chega em dezembro de
2024, os madeirenses “disseram que queriam este Orçamento e este governo
para executar este Orçamento”.Em relação à
formação profissional, o secretário refutou as críticas, sublinhando
que 38% dos alunos madeirenses frequentam o ensino profissional e a taxa
de empregabilidade é de 70%, sendo que este ano cerca de 300 estudantes
concorreram ao ensino superior.Por outro
lado, defendeu o desempenho da ARDITI, explicando que a agência tem o
aporte de captar fundos e projetos e uma estratégia de ação que visa
transferir o conhecimento para as empresas.Já
os deputados únicos do CDS-PP, Sara Madalena, e da Iniciativa Liberal,
Gonçalo Maia Camelo, questionaram o secretário sobre a mobilidade de
docentes por doença, situação que ocorre ao nível do continente e dos
Açores, mas que não é possível na Madeira.Jorge Carvalho assegurou que o executivo vai regularizar a situação no decurso da legislatura, que se prolonga até 2029.Pelo
Chega, a deputada Manuela Gonçalves alertou para o “crescimento da
indisciplina nas escolas” e apelou à revisão do Estatuto do Aluno, mas o
governante reagiu afirmando que “o quotidiano nas escolas é saudável” e
que “a indisciplina tem vindo a diminuir nos últimos anos”.“O estatuto do aluno será revisto assim que entendermos fazê-lo”, realçou.O
Orçamento Regional (2.533 ME) e o Plano de Investimentos (1.044 ME)
para 2025 foram aprovados na segunda-feira no parlamento madeirense com
os votos favoráveis da maioria PSD/CDS-PP e abstenção de todos os
partidos da oposição (JPP, PS, Chega e IL).O debate na especialidade acontece hoje, quarta e sexta-feira, dia que ocorre a votação final global.