Orbán vai convidar Netanyahu a ir à Hungria após mandado de detenção do TPI
22 de nov. de 2024, 11:20
— Lusa/AO Online
“Não
temos outra escolha senão desafiar esta decisão", disse Viktor Orbán,
numa entrevista à rádio estatal, acrescentando que vai convidar
Netanyahu a ir à Hungria, onde diz poder garantir que a decisão do
"julgamento do TPI não terá efeito”.Segundo
o dirigente nacionalista, apoiante convicto do líder israelita,
trata-se de uma “decisão desavergonhada, disfarçada para fins jurídicos”
que conduz a “um descrédito do direito internacional”.Após
mais de um ano de conflito em Gaza, o TPI emitiu na quinta-feira
mandados de captura contra Benjamin Netanyahu, o antigo ministro da
Defesa, Yoav Gallant, e o chefe do braço militar do Hamas, Mohammed
Deif.Em comunicado, o TPI explicou que os
mandados de captura contra Netanyahu e Gallant são "por crimes contra a
humanidade e crimes de guerra cometidos pelo menos desde 08 de outubro
de 2023 e até pelo menos 20 de maio de 2024".Descrita
como “ultrajante” por Joe Biden, esta decisão restringe os movimentos
dos dois funcionários israelitas, uma vez que, em princípio, qualquer um
dos 124 Estados membros do Tribunal seria obrigado a prendê-los se
entrassem no seu território.A Hungria
assinou o Estatuto de Roma, um tratado internacional que criou o TPI em
1999, e ratificou-o dois anos mais tarde, durante o primeiro mandato de
Viktor Orban. Mas não validou a convenção associada, por razões de
constitucionalidade, e, por isso, alega que não é obrigada a cumprir as
decisões do tribunal sediado em Haia.Em
março de 2023, A Hungria também afirmou que não entregaria o Presidente
russo, Vladimir Putin, ao TPI se este visitasse o país.Desde
que assumiu a presidência semestral do Conselho da UE, em julho, Orbán,
que se manteve próximo do Kremlin, intensificou, segundo os seus pares
europeus, as suas provocações, nomeadamente com a sua visita não
anunciada a Moscovo no início de julho.A comunidade internacional já manifestou apoio aos mandados de captura emitidos pelo TPI. De
fora, manifestando o seu repúdio, ficaram os Estados Unidos - o aliado
incondicional de Israel – e outros países próximos do Estado hebreu.