Orbán ordena retenção de dinheiro e ouro ucranianos apreendidos
Ucrânia
Hoje 12:26
— Lusa/AO Online
O
ouro e o dinheiro estavam a ser transportados por estrada através da
Hungria quando foram apreendidos na quinta-feira passada, com as
autoridades a suspeitar de branqueamento de capitais. A
remessa incluía 40 milhões de dólares (34,4 milhões de euros) e 35
milhões de euros em numerário, bem como nove quilogramas de ouro,
avaliados, às taxas de câmbio atuais, em cerca de 82 milhões de dólares
(cerca de 70 milhões de euros).A apreensão
indignou as autoridades ucranianas, que acusaram o Governo húngaro,
considerado próximo da Rússia, de agir ilegalmente.Um
vídeo da operação divulgado pelo Centro Antiterrorismo da Hungria
mostra comandos encapuzados a deter sete funcionários do banco estatal
ucraniano Oschadbank, que viajavam em dois veículos blindados
provenientes da Áustria e com destino à Ucrânia.Kiev afirmou tratar-se de uma transferência rotineira de ativos entre bancos estatais. Os
funcionários do banco foram detidos durante mais de 24 horas e
posteriormente expulsos da Hungria na sexta-feira à noite.
Desconhecem-se as razões por que as autoridades húngaras os libertaram
nem se eram suspeitos de algum crime.O
decreto de Orbán, assinado na noite de segunda-feira, encarrega a
Administração Nacional de Impostos e Alfândegas de determinar a origem, o
destino e a utilização prevista da remessa, bem como a identidade dos
sete ucranianos expulsos “e as suas eventuais ligações a organizações
criminosas ou terroristas”.Na noite de
segunda-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andriy
Sybiha, afirmou nas redes sociais que a Hungria está “a entrar numa
espiral de ilegalidade” e acusou o Governo de Orbán de procurar
“legalizar” a apreensão ilegal.“Trata-se
de um reconhecimento de facto de que as ações da Hungria carecem de
qualquer base legal”, escreveu Sybiha, que acrescentou: “Estão apenas a
acrescentar ilegalidade sobre ilegalidade”. A autoridade fiscal húngara escusou-se, para já, a comentar a situação.A
Hungria declarou um “estado de perigo” em resposta à guerra na vizinha
Ucrânia, o que permite ao Governo de Orbán governar por decreto sem
votação do parlamento sobre medidas individuais.No
decreto, Orbán, que enfrenta um desafio sem precedentes de um
adversário de centro-direita nas eleições dentro de um mês, pediu também
que a autoridade fiscal húngara determine se remessas de dinheiro
provenientes da Ucrânia beneficiaram “organizações criminosas húngaras,
organizações terroristas presentes na Hungria ou organizações
políticas”.Antes das eleições de 12 de
abril, o líder populista de direita e uma vasta rede de meios de
comunicação que lhe são fiéis têm alegado repetidamente, sem apresentar
provas, que o seu principal adversário político, Péter Magyar, e o seu
partido Tisza recebem financiamento da Ucrânia.A
referência a “organizações políticas” no decreto levantou suspeitas de
que Magyar e o partido Tisza possam vir a ser envolvidos na investigação
sobre a remessa de dinheiro.Orbán, que
surge atrás do Tisza na maioria das sondagens, intensificou nas últimas
semanas uma campanha agressiva contra a Ucrânia antes das eleições. O
primeiro-ministro classificou a Ucrânia como “inimiga” da Hungria e
afirmou que, caso perca as eleições, o país será forçado à bancarrota e
os jovens húngaros serão enviados para morrer nas linhas da frente.Num
novo agravamento das tensões com Kiev, o parlamento húngaro aprovou
hoje uma resolução que dá luz verde ao Governo para se opor ao processo
de adesão da Ucrânia à União Europeia e rejeitar quaisquer iniciativas
destinadas a fornecer armas ou financiamento a Kiev.