Orbán considera política de Bruxelas “um fracasso” e apela para “novos líderes”
16 de abr. de 2024, 18:12
— Lusa
“Temos
uma liderança da União Europeia (…) que falhou. A atual liderança tem
de sair, precisamos de novos líderes”, afirmou Orbán, entre os aplausos
do público de uma conferência sobre migrações no Parlamento Europeu na
qual participou, juntamente com o ex-primeiro-ministro polaco Mateusz
Morawiecki e o ex-diretor executivo da Frontex (Agência Europeia da
Guarda de Fronteiras e Costeira) Fabrice Leggeri.O
chefe do Governo húngaro disse também que o pacto migratório “é um
erro”, porque não foi unanimemente apoiado pelos Estados-membros e
considerou que, por essa razão, “não funcionará”.Mas
foi mais longe e considerou que outras iniciativas prioritárias para
Bruxelas nos últimos anos estão também condenadas ao “fracasso”.“A transição verde é um fracasso, porque vai contra a economia, as empresas e a indústria”, sustentou.Orbán
criticou ainda o mecanismo que condiciona o desembolso dos fundos
europeus ao respeito dos princípios do Estado de direito.“Criaram um sistema de condicionalidade que é um método de chantagem”, defendeu.Por
seu lado, o ex-primeiro-ministro polaco Mateusz Morawiecki rejeitou
igualmente o pacto migratório, argumentando que “pode ser a dinamite que
fará explodir a Europa”.“Se for na
direção apresentada, não vai funcionar. Haverá enorme turbulência”,
vaticinou o político polaco, criticando “a hipocrisia” dos responsáveis
que impulsionaram aquele pacote normativo.Por
último, o ex-diretor executivo da Frontex, que agora faz parte da União
Nacional (RN), o partido da líder da extrema-direita francesa, Marine
Le Pen, criticou a “falsa narrativa da Comissão Europeia e das
organizações não-governamentais (ONG), que dizem que é ilegal impedir a
travessia ilegal das fronteiras externas” da União Europeia (UE).Acusou
ainda a presidente do executivo comunitário, Ursula von der Leyen, e a
comissária europeia para os Assuntos Internos, Ylva Johansson, de
tentarem adotar políticas que são da competência das autoridades
nacionais dos 27 Estados-membros.A
conferência decorreu no dia em que a polícia belga impediu a realização
de outro evento ultraconservador europeu em Bruxelas, a “Conferência
Nacional do Conservadorismo”.O evento foi
cancelado por ordem do autarca da comuna bruxelense de
Saint-Josse-ten-Noode, onde teria lugar, para evitar o risco de
“perturbações da ordem pública”.O
primeiro-ministro belga, Alexander De Croo, considerou hoje
“inaceitável” a proibição dessa reunião da direita nacionalista em
Bruxelas, classificando-a como um atentado à liberdade de expressão, a
poucas semanas das eleições europeias.“A
autonomia comunal é uma pedra angular da nossa democracia, mas nunca
pode sobrepor-se à Constituição belga, que garante a liberdade de
expressão e de reunião pacífica desde 1830”, sublinhou o governante
liberal numa mensagem em inglês, publicada na rede social X (antigo
Twitter).Também o primeiro-ministro
britânico, o conservador Rishi Sunak, considerou “extremamente
preocupante” a decisão das autoridades de Bruxelas de ordenar hoje o fim
de uma reunião da direita nacionalista em que iriam participar várias
figuras britânicas, indicou a sua porta-voz.“Esta
informação é extremamente preocupante”, afirmou a porta-voz sobre a
suspensão do evento, onde eram nomeadamente esperados o ex-líder do
Partido da Independência do Reino Unido (UKIP) Nigel Farage e a
ex-ministra do Interior conservadora Suella Braverman.