Orbán avisa que Hungria vive período muito crítico após tentativa de sabotagem de gasoduto
Hoje 11:57
— Lusa/AO Online
"A
segurança energética do país não é uma questão de campanha, é uma
questão de governo, e isso exige calma, calma estratégica, não teatro,
não palhaçada, mas uma mão calma, firme e segura", disse Viktor Orbán,
citado pelo site de notícias Euronews.As
autoridades sérvias abriram no domingo uma investigação depois de
agentes do Exército e da Polícia terem encontrado duas mochilas e dois
grandes pacotes de explosivos com detonadores perto do gasoduto Balkan
Stream, na localidade de Kanjiza, na fronteira com a Hungria.O
primeiro-ministro convocou um Conselho de Defesa extraordinário na
tarde de domingo e anunciou o reforço da proteção militar do troço
húngaro do gasoduto, uma extensão do Turk Stream, que abastece a Sérvia e
a Hungria de gás natural russo. Orbán deslocou-se a Kiskundorozsma, perto da fronteira com a
Sérvia, acompanhado do ministro dos Negócios Estrangeiros, Péter
Szijjártó, para inspecionar o reforço militar."Ainda
não se sabe quem preparou a operação de sabotagem contra o gasoduto
Turk Stream. Os sérvios estão a investigar, mas, ao mesmo tempo, o
ocorrido encaixa-se numa série de eventos, e os ucranianos têm essa
capacidade e estão dispostos e aptos a fazer algo assim", disse o
primeiro-ministro à imprensa, no local.O
chefe do Governo húngaro afirmou que não prejudicaria ainda mais as
relações entre Budapeste e Kiev acusando a Ucrânia sem conhecer os
factos e que aguardaria a conclusão das investigações.Depois
de sublinhar que o país vive um momento muito crítico, na última semana
da campanha para as eleições legislativas do próximo domingo, Viktor
Orbán enfatizou: "Recomendo a todos que não vejam isto como uma questão
de campanha. Vejo que não fomos nós que fizemos disso uma campanha, mas
sim os nossos adversários".As Forças
Armadas da Sérvia afirmaram que o dispositivo explosivo foi fabricado
nos Estados Unidose e suspeitam do envolvimento de imigrantes.“Não
é verdade que os ucranianos tentaram sabotá-lo", disse Duro Jovanić,
diretor do serviço antiterrorista das Forças Armadas da Sérvia."Tínhamos
informações de que um indivíduo pertencente a um grupo de migrantes
está a tentar realizar um ato de sabotagem contra a infraestrutura de
gás”, afirmou o responsável sérvio, citado pelo jornal online húngaro
Világgazdasag. "Segundo as nossas
informações, trata-se de um adulto apto para o serviço militar, que
certamente será detido. A única questão é se a investigação durará três
dias ou vários meses", acrescentou.O
Ministério Público de Subotica (Sérvia) instaurou processos por
produção, posse e distribuição ilegais de armas e explosivos, bem como
pelo crime de sabotagem, refere o mesmo jornal online.Ainda
segundo a imprensa húngara, Viktor Orbán foi questionado hoje sobre a
declaração do líder do partido opositor Tisza, Péter Magyar, que afirmou
que os russos conspiraram com os sérvios e que Viktor Orbán esteve nos
bastidores.“E os marcianos, claro”, ironizou o primeiro-ministro, que defendeu que o assunto "exige mais seriedade".O
primeiro-ministro, candidato a um quinto mandato à frente do Governo
húngaro, avisou que se este gasoduto for bloqueado, “será um grande
problema”.“A Ucrânia já bloqueou um
gasoduto em 2022, mas, ao aumentar a capacidade do Turk Stream,
conseguimos abastecer a Hungria com energia. Se esse fornecimento for
interrompido, centenas de milhares de famílias húngaras ficarão sem
energia", alertou.Orbán afirmou que o problema da segurança energética da Hungria ultrapassa o período eleitoral.Insistiu
que a Europa caminha para uma crise energética extremamente grave,
devido ao conflito no Médio Oriente, voltando a defender a suspensão das
sanções ao gás e petróleo russos.“A
ameaça à infraestrutura húngara persistirá até que a decisão negativa
sobre a energia russa seja revertida na Europa e a ordem normal anterior
à guerra seja restaurada, quando a energia poderia ser importada para a
União Europeia de todas as direções, inclusive do Leste”, sustentou.No domingo, a Ucrânia negou qualquer envolvimento no caso. Entretanto,
Moscovo já reagiu: a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros
russo, Maria Zakharova, classificou o ato como uma ameaça direta à
independência húngara.O incidente ocorre
no arranque da última semana da campanha das legislativas húngaras, nas
quais Péter Magyar surge como favorito nas sondagens, podendo afastar
Viktor Orbán do poder, ao fim de 16 anos.