Orbán acusa Ucrânia de infiltrar agentes secretos para influenciar eleições na Hungria
4 de jul. de 2025, 15:48
— Lusa/AO Online
“A
Ucrânia colocou agentes dos serviços secretos na Hungria para
influenciar as eleições legislativas de 2026 e levar ao poder um governo
pró-ucraniano que aproximará Kiev da UE”, afirmou o primeiro-ministro
húngaro.“Trata-se de ganhar as eleições e
depois aplicar as decisões tomadas em Bruxelas”, afirmou numa entrevista
à estação de rádio húngara Radio Kossuth, na qual garantiu que estas
manobras são visíveis para todos no seu país.Embora
a troca de declarações entre a Ucrânia e a Hungria tenha sido constante
desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022, nos últimos
meses o tom subiu e, em maio, vários diplomatas de ambos os países foram
expulsos devido a acusações de espionagem.A
Ucrânia deteve dois dos seus cidadãos acusados de trabalharem para os
serviços secretos ucranianos na Transcarpátia, uma região fronteiriça
com uma grande população de etnia húngara, para denunciar possíveis
violações da segurança e testar a opinião pública antes de um potencial
envio de tropas húngaras.A Hungria, que
respondeu identificando alegados espiões ucranianos, acusou Kiev de
conduzir uma campanha de difamação pela sua posição antiguerra e de
fornecer armas, tal como faz a maior parte da UE.Na quinta-feira as autoridades ucranianas convocaram o embaixador húngaro em Kiev."É
óbvio para a parte ucraniana que as forças políticas governantes na
Hungria estão a tentar arrastar a Ucrânia para uma luta política interna
sob qualquer circunstância", disse o vice-ministro dos Negócios
Estrangeiros, Oleksandr Mishchenko, ao diplomata húngaro, Antal Heiser.Mishchenko
criticou Heiser por a Hungria se permitir interferir nos assuntos da
Ucrânia e classificou como "patéticas" as tentativas de criar a imagem
de que "está a lutar contra o verdadeiro inimigo de toda a Europa e do
mundo civilizado".Em maio passado, Orbán
voltou a expressar rejeitar, numa intervenção perante o Parlamento
húngaro, a entrada da Ucrânia na União Europeia e, há alguns dias,
gabou-se dos resultados de uma consulta popular, na qual 95% dos
húngaros votaram contra esta adesão.