Opositores lembram que cabe a todos lutar pela democracia
Venezuela
17 de dez. de 2024, 16:30
— Lusa/AO Online
“María Corina
Machado e o Presidente eleito Edmundo González Urrutia, a vossa coragem
e a vossa dedicação à causa da democracia venezuelana são, em partes
iguais, inspiradoras e galvanizadoras”, declarou a líder do Parlamento
Europeu em Estrasburgo, durante a cerimónia de entrega do Prémio
Sakharov para a Liberdade de Pensamento 2024, à líder da oposição na
Venezuela e ao candidato presidencial, que reclama vitória nas eleições
presidenciais de 28 de julho.“Os vossos
esforços recordam-nos que cabe a cada um de nós lutar pela democracia.
Porque a liberdade deve e vai prevalecer, em todo o lado, sempre”,
continuou.“Este prémio é para vós, em
reconhecimento dos vossos esforços incansáveis para restaurar a
liberdade e a democracia na Venezuela e assegurar uma transição de poder
justa, livre e pacífica, arriscando tudo pelos valores que milhões de
venezuelanos e este parlamento tanto prezam: a justiça, a democracia e o
Estado de Direito”, declarou Roberta Metsola.María
Corina Machado não participou na cerimónia no Parlamento Europeu, tendo
sido representada pela filha, Ana Corina Sosa, uma vez que se encontra
escondida na Venezuela há três meses. Já Edmundo González Urrutia está
exilado em Espanha desde setembro, após ter fugido do seu país na
sequência da emissão de mandados de captura contra si. Os
laureados foram aplaudidos de pé pelos eurodeputados, tal como os
outros dois finalistas do Prémio Sakharov 2024: duas organizações de
mulheres israelitas e palestinianas, Women Wage Peace e Women of the
Sun, respetivamente, e o ativista anticorrupção do Azerbaijão Gubad
Ibadoghlu.Aos venezuelanos, alguns
presentes nas galerias do hemiciclo com uma bandeira da Venezuela, a
responsável garantiu: “Este parlamento está convosco, o povo
venezuelano, na vossa luta pela democracia”.Metsola
sublinhou o apoio a González Urrutia “como líder democrático da
Venezuela”, condenando a “emissão de um mandado de captura contra o
Presidente eleito”, como reconhecido pelo Parlamento Europeu.No
seu discurso, a presidente disse que o Parlamento Europeu condena o
regime de Nicolás Maduro “pelas muitas tentativas brutais e cruéis de
silenciar as vozes democráticas de milhões de venezuelanos”. “Condenamos a detenção ilegal de milhares de presos políticos em condições desumanas e apelamos à sua libertação”, salientou.Segundo
os opositores, cerca de 2.000 pessoas foram detidas na Venezuela
durante os protestos contra a reeleição de Maduro, confirmada pelo
Conselho Nacional Eleitoral e posteriormente considerada válida pelo
Supremo Tribunal venezuelano.“O punho de
ferro de Maduro não pode esmagar o espírito e as vozes do povo
venezuelano que está a marchar nas ruas para exigir democracia e
justiça. Esta é a verdadeira essência da liberdade de pensamento”,
destacou Metsola.A presidente do
Parlamento Europeu também transmitiu a sua solidariedade aos outros dois
finalistas da edição deste ano do Prémio Sakharov.As
duas organizações, israelita e palestiniana, são dois “movimentos
feministas, pacifistas e não partidários” que unem mulheres israelitas e
palestinianas “para apelar à paz e espalhar a esperança”, referiu.Metsola
apelou às autoridades do Azerbaijão para que retirem todas as acusações
contra o ativista anticorrupção Gubad Ibadoghlu, detido “de forma
arbitrária e injusta” há mais de um ano, levantem a proibição de viajar e
lhe permitam receber “os cuidados [de saúde] de que necessita
urgentemente”.O académico azeri não pôde
participar na cerimónia, sendo representado pela filha, a advogada de
direitos humanos Zhala Bayramova.“Este
Parlamento Europeu agradece-vos e solidariza-se convosco em prol de um
mundo onde a liberdade e a igualdade não sejam apenas ideais, mas
realidades para todos nós”, afirmou a presidente.