Opositor Urrutia diz que deve ser novo comandante-chefe do exército
Venezuela
6 de jan. de 2025, 12:36
— Lusa/AO Online
“De
acordo com a constituição (…) devo assumir o papel de comandante-chefe”
do exército a 10 de janeiro, dia em que Nicolás Maduro deverá tomar
posse como Presidente, declarou o antigo embaixador de 75
anos.As forças armadas são consideradas um
pilar do poder de Maduro. Os líderes militares juraram repetidamente
lealdade ao socialista, cuja reeleição foi considerada uma fraude por
vários países e organizações venezuelanas e estrangeiras.O
exército participou ativamente na repressão das manifestações que se
seguiram à proclamação por parte do Conselho Nacional Eleitoral da
vitória de Maduro nas presidenciais de 28 de julho.“A
nossa força armada nacional é chamada a ser garante da soberania e do
respeito pela vontade do povo. É nosso dever agir com honra, mérito e
consciência", disse Urrutia."É preciso
acabar com uma liderança que distorceu os princípios fundamentais e
morais das nossas forças armadas", disse o opositor, atualmente exilado
em Espanha.“Este é o momento de reafirmar o
nosso compromisso com a pátria. A nossa missão é restaurar a soberania
popular que se manifestou através do voto”, afirmou Urrutia nos Estados
Unidos, terceira escala de uma digressão diplomática que já passou pela
Argentina e Uruguai.O Presidente cessante
dos EUA, Joe Biden, vai receber hoje Urrutia, disseram fontes do Governo
norte-americano, não identificadas, citadas pelas agências de notícias
France-Presse e EFE.O apelo de Urrutia
surgiu poucas horas depois de a líder da oposição Maria Corina Machado
ter apelado a uma manifestação na quinta-feira, um dia antes da
cerimónia de tomada de posse de Maduro.“Este
é o sinal. Este é o dia. O dia em que unimos a nossa bandeira num único
grito de liberdade. A Venezuela precisa de vós. Todos nós juntos. Todos
nós. Eu vou convosco. Este 09 de janeiro: todos nas ruas, na Venezuela e
no mundo. Glória ao povo valente”, instou Corina Machado, na rede
social X.As forças armadas da Venezuela
anunciaram um plano de segurança, através do qual serão destacados mais
de 1.200 militares, para a tomada de posse de Maduro.Urrutia garantiu que não tem restrições para regressar à
Venezuela e que não revelará “nem o dia nem a forma” como regressará ao
país.No sábado, o presidente do parlamento
da Venezuela anunciou que pedirá a “detenção imediata” de Urrutia, caso
o opositor pise território venezuelano.“Cada
deputado que defende a paz solicitará, no caso de pisar um palmo de
terreno da República Bolivariana da Venezuela, a prisão imediata por
violação da Lei Orgânica Libertadora Simón Bolívar, por usurpação de
funções, por traição, por branqueamento de capitais”, disse Jorge
Rodríguez.