Oposição venezuelana dividida sobre continuidade do “governo interino” de Juan Guaidó
20 de dez. de 2022, 12:08
— Lusa/AO Online
O anúncio levou
outro setor da oposição venezuelana a acusar esses partidos de quererem
“legitimar” o Governo do Presidente Nicolás Maduro e o próprio Juan
Guaidó a convocar uma sessão extraordinária do parlamento opositor (que
não reconheceu as eleições presidenciais de 2018 nem as legislativas de
2020 e declarou que continua em funções) para esta quinta-feira.A
negativa a dar continuidade ao “governo interino” foi anunciada por
três dos principais partidos opositores, Ação Democrática (AD), Um Novo
Tempo (UNT) e Primeiro Justiça (PJ) que, segundo a imprensa local,
querem também eliminar os documentos aprovados pela oposição, exceto os
que estão relacionados com a defesa da democracia e proteção dos ativos
venezuelanos no estrangeiro, as liberdades, garantias constitucionais e
de direitos humanos, e a realização de eleições livres, justas e
verificáveis.Numa conferência de imprensa
em Caracas, o ex-candidato presidencial e dirigente do partido opositor
Primeiro Justiça, Henrique Capriles Radonski, acusou Juan Guaidó de
chantagear os parlamentares opositores para aprovarem, por mais um ano, o
“governo interino” e reformar “o estatuto de transição”, apesar de a
oposição ter falhado na sua estratégia.A
favor da continuidade do “governo interino” está o deputado Ismael
Garcia, que acusou “um grupo reduzido de deputados, com fins
inconfessáveis, de pretender entregar toda a legitimidade a Nicolás
Maduro” e de querer garantir que seja reconhecido como único Governo da
Venezuela.“Com esta pretensão vão entregar a cabeça de Juan Guaidó numa bandeja de prata a Nicolás Maduro”, disse aos jornalistas.Entretanto,
num comunicado divulgado pela equipa de Juan Guaidó, o líder opositor
explica que o objetivo de convocar uma “sessão extraordinária” da
oposição para quinta-feira tem como propósito conseguir “o consenso
sobre prolongar a vigência do Estatuto de Transição que rege o governo
encarregado”.“A transição à democracia
passa pelo restabelecimento da ordem constitucional, assim como pelo
resgate da soberania popular através do voto e da realização de eleições
livres. Também se requer inverter a emergência humanitária complexa que
a Venezuela atravessa, as garantias constitucionais e de direitos
humanos”, explica o documento.A crise
política, económica e social na Venezuela agravou-se desde janeiro de
2019, quando o então presidente do parlamento, o opositor Juan Guaidó,
jurou publicamente assumir as funções de governo interino do país, até
afastar Nicolás Maduro do poder, convocar um governo de transição e
eleições livres e democráticas no país.Segundo
diversas ONG e organismos internacionais, nos últimos cinco anos, mais
de sete milhões de venezuelanos abandonaram o país, fugindo da crise
política, económica e social que afeta a Venezuela.