Oposição e Governo Regional trocam responsabilidades pelo aumento"galopante" da dívida nos Açores
8 de jul. de 2025, 16:43
— Lusa/AO Online
“A
situação financeira da Região é preocupante e não pode ser ignorada”,
disse António Lima, deputado do Bloco de Esquerda, durante uma
interpelação ao Governo, no arranque dos trabalhos parlamentares de
julho, que tiveram início na sede da Assembleia Legislativa dos
Açores, na Horta.Segundo o parlamentar
bloquista, as dificuldades financeiras da região, que têm originado
“atrasos nos pagamentos a fornecedores”, devem-se à política fiscal
adotada pelo executivo de direita, que provocou “um rombo nas contas
públicas” e representa uma “sobrecarga” sobre a classe média.Críticas
corroboradas por Berto Messias, deputado do PS (o maior partido da
oposição nos Açores), que se socorreu dos dados do Banco de Portugal
referentes ao primeiro semestre de 2025 para concluir que a dívida da
Administração Pública Regional aumentou “mil milhões de euros”, desde
que o executivo açoriano é liderado pelo social-democrata José Manuel
Bolieiro.“Estamos a falar de um ritmo de
endividamento de cerca de um milhão de euros por dia”, advertiu o
parlamentar socialista, acrescentando que esta “tremenda
irresponsabilidade” resulta da estratégia delineada pelo Governo, que
“promete tudo a todos, sabendo, de antemão, que não tem capacidade para
cumprir todos os seus compromissos”.Por
seu turno, o secretário regional dos Assuntos Parlamentares, Paulo
Estêvão, justificou o aumento da dívida com a opção tomada pelo
executivo, de diminuir os impostos na região, para beneficiar as
famílias e as empresas, ao invés de apostar na arrecadação de mais
receitas.“Imaginem, caros açorianos, só
por um instante, que os impostos regressavam aos valores do passado. Que
aqui se passava a pagar a carga fiscal vigente em Lisboa ou na Madeira.
O Governo Regional ficaria a nadar em dinheiro e o povo seria trucidado
por uma carga fiscal insuportável”, frisou o governante.O
presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro, garantiu, por
outro lado, que a economia açoriana “está a crescer como nunca”, e que, a
haver um aumento da dívida pública regional, isso deve-se também ao PS,
por não ter autorizado, quando governava na República, a transformação
de dívida comercial em dívida financeira.“Há
uma situação galopante do endividamento. Pode haver, mas a
responsabilidade é socialista, na medida em que, parte significativa do
endividamento, tem a ver com a não transformação de dívida comercial em
dívida financeira” sublinhou o chefe do executivo.Na
opinião do governante, o aumento do endividamento pode e deve ser visto
também como uma “inequívoca oportunidade para a economia” açoriana, que
considerou estar hoje “como nunca esteve nos Açores. Não está perfeita,
mas recomenda-se!”Também Joaquim Machado,
deputado da bancada do PSD, desvalorizou o aumento do endividamento
regional, preferindo destacar o trabalho que o executivo regional tem
efetuado na região, em vários setores, numa governação que considerou
ser “progressista” e com grande impacto na economia açoriana.“Nem
tudo é perfeito. Há falhas que podem e devem ser corrigidas. Há aspetos
que podem e devem ser melhorados, mas só por miopia política ou
exercício primário de oposição, é possível ignorar o quanto tem sido
feito, e bem feito, pela governação do presidente Bolieiro”, destacou o
deputado social-democrata.Já Nuno Barata,
da Iniciativa Liberal, alertou que a região, em cinco anos, não
conseguiu resolver problemas como o transporte marítimo, o apoio a
associações e clubes desportivos, ou a recuperação e beneficiação das
escolas.Durante o debate intervieram também deputados do Chega, do CDS-PP, do PAN e do PPM.