Oposição da Ucrânia acusa Presidente de censura e admite usar os tribunais
3 de fev. de 2021, 12:17
— Lusa/AO online
"Iniciamos
os procedimentos para apresentar uma acusação constitucional contra o
Presidente Zelenski, que enganou os eleitores do país", disse no
Parlamento, o deputado Vadin Rabinovich, da direção do
partido Plataforma pela Vida.Segundo o
deputado, trata-se da primeira vez na história da Ucrânia que se
censuram "ao mesmo tempo três importantes canais (de televisão)".Rabinovich
anunciou ainda que na próxima reunião extraordinária do partido da
oposição vai ser definida a estratégia a tomar no sentido de uma moção
de censura.O chefe de Estado assinou na
terça-feira um documento do Conselho de Segurança Nacional e de Defesa
sobre Taras Kozak, apesar das reticências do presidente do Parlamento
ucraniano, Dmitri Razumkov.As sanções
afetam pessoalmente Kozak, aliado do político pró russo ucraniano Victor
Medvedchuk, presidente do Conselho da Plataforma pela Vida, um partido
político ligado ao Kremlin.Kozak está também ligado a oito empresas de comunicação social, nomeadamente as cadeias de televisão 112-TV, NewsOne e ZIK.O Governo considera estes canais de televisão como uma ferramenta de propaganda russa na Ucrânia.O
Presidente ucraniano afirmou hoje, através da rede social Twitter, que
"as sanções foram uma decisão difícil" e que o "país apoia a liberdade
de expressão", mas qualificou os canais censurados como meios de
"propaganda financiados por um país agressor"."A luta pela independência é uma luta na guerra da informação, pela verdade e pelos valores europeus", disse.O líder da Plataforma já anunciou que vai recorrer contra a decisão do chefe de Estado."Os
nossos juristas já estão a estudar o caso e vamos apelar, começando
pelos tribunais de primeira instância, até chegarmos ao Tribunal
Supremo", afirmou em declarações à Interfax.Medvedchuk acrescentou
que as sanções pretendem "limpar o setor da informação" e travar a
queda de popularidade que o Presidente regista nas sondagens.O
dirigente da oposição acusou o presidente de não querer resolver os
problemas que o país enfrenta, como o conflito no leste da Ucrânia, o
aumento dos preços do gás, a falta de vacinas contra a covid-19 ou as
restrições ao uso da língua russa.Zelenski
assumiu o poder em 2019 após vencer as eleições com 73% dos votos tendo
partido a que pertence - Em Serviço pelo Povo - superado os 43% nas
eleições legislativas.Neste momento, uma
sondagem do Instituto Internacional de Sociologia de Kiev (KIIS),
Zelensky tem a confiança de 35,6% dos cidadãos, mas as intenções de voto
no partido no poder caíram para a segunda posição (11,9%) atrás da
força de Medvedchuv (15,7%).