Oposição critica reestruturação da cooperativa Praia Cultural e PSD responsabiliza PS
13 de abr. de 2023, 06:53
— Lusa/AO Online
“A
senhora presidente diz que quer recorrer ao Fundo de Apoio Municipal e
por causa disso tem de avançar para despedimentos, quando ninguém
conhece qualquer orientação ou documento do Fundo de Apoio Municipal que
indique isso”, adiantou, em declarações à Lusa, o vereador do PS no
município Berto Messias.“Foi mal gerido.
Nem foi completamente explicado aos próprios funcionários. Há um
sentimento de insegurança, há muitas dúvidas sobre todo o processo”,
acrescentou a deputada municipal do grupo de cidadãos “Esta é a nossa
Praia” Rita Borges.A cooperativa Praia
Cultural, inserida no grupo municipal da Praia da Vitória, integra 165
trabalhadores com contrato sem termo e oito com contrato a termo.Na
sequência de uma auditoria às contas do grupo municipal, que
identificou um passivo de 33,2 milhões de euros, a presidente do
município, Vânia Ferreira (PSD/CDS-PP), que tomou posse em 2021, decidiu
reestruturar a cooperativa, integrando os funcionários na câmara
municipal.Na terça-feira, a autarca
revelou que 30 funcionários tinham aceitado rescisões por mútuo acordo,
mas no dia 10 de março, quando anunciou as condições de rescisão, Vânia
Ferreira disse que o município só teria capacidade para absorver entre
80 e 100 trabalhadores.O vereador
socialista Berto Messias defendeu, no entanto, que “não era necessário”
recorrer a despedimentos na cooperativa, acusando a autarca de falta de
critérios, por prever contratações para o município no mapa de pessoal
para 2023.“É um processo mal conduzido, é
uma teimosia e uma opção política da senhora presidente, que nós
lamentamos e achamos que o futuro da Praia da Vitória não passa de todo
por esta estratégia”, frisou.Berto Messias
lembrou que a cooperativa assegurava serviços não apenas na área
cultural, mas educativa, desportiva e turística, criticando a “falta de
visão estratégica” do executivo camarário.“Só
se pode dizer que existem funcionários a mais se soubermos que serviços
queremos prestar à população. O PS entende que os serviços que a
cooperativa hoje presta são fundamentais para o concelho. A senhora
presidente diz que não, mas não diz de quais serviços vai abdicar”,
vincou.Rita Borges, do grupo de cidadãos,
admitiu que os despedimentos fossem necessários, mas criticou a forma
“impreparada” como o processo foi gerido.“Há
um ano que tem havido esta ameaça de despedimento e achamos que não foi
a melhor forma de se tratar do processo, porque todos os funcionários
acabaram por receber, de igual modo, uma carta, para o mútuo acordo”,
explicou, alegando que foi “uma forma de desresponsabilizar a própria
câmara".A deputada municipal salientou que
“não foram dadas todas as respostas necessárias” aos trabalhadores e
que “não foi apresentado um estudo” sobre as necessidades de recursos
humanos dos diferentes departamentos.“É
uma situação muito complicada, estamos a falar de famílias, de postos de
trabalho e da própria atividade da cooperativa Praia Cultural”,
alertou.Já o PSD, partido que gere o
executivo, em coligação com o CDS-PP, disse que a situação resulta da
“irresponsabilidade de gestão” do PS, que liderou a autarquia durante 16
anos, até 2021.“A cooperativa Praia
Cultural assumiu uma dívida gigantesca, com um encargo financeiro
elevado e com um número de recursos humanos muito acima das suas
capacidades”, afirmou Rui Espínola, vice-presidente do PSD da Praia da
Vitória.O dirigente social-democrata
elogiou a forma “transparente” e "com diálogo" com que o executivo
municipal tem conduzido o processo.“Não é
bom ter de dispensar colaboradores, até porque estamos a falar de
pessoas que têm famílias e encargos, mas a verdade é que é um mal
necessário para levarmos a bom porto a missão da cooperativa Praia
Cultural e do município da Praia da Vitória, que é trabalhar em prol do
desenvolvimento do seu concelho e de todos os praienses”, apontou.