Oposição critica gestão da SATA mas PS/Açores diz que não deixa cair a empresa
13 de dez. de 2018, 12:33
— Lusa/AO Online
"Em
dez anos e com 200 milhões de euros de prejuízos depois, a SATA bateu
no fundo. O caos está instalado, as acusações de gestão danosa do
interesse público são recorrentes, encontra-se em falência técnica, a
sua mera sobrevivência é agora a principal preocupação dos seus
trabalhadores e da generalidade dos açorianos", considerou o deputado do
PSD/Açores António Vasco Viveiros.O
parlamentar apresentava uma declaração política na sessão plenária do parlamento dos Açores, na Horta, onde abordou a "desastrosa
condução" do concurso de alienação de 49% da Azores Airlines, o ramo da
empresa que voa de e para fora dos Açores. No
começo de novembro, a comissão de acompanhamento da privatização de 49%
da Azores Airlines, processo que foi interrompido, dizia que a única
proposta apresentada, pelos islandeses da Icelandair, não cumpria o
caderno de encargos exigido.Para
o PSD, a situação da SATA "pode comprometer o futuro político" do
Governo Regional dos Açores e para o líder do executivo, Vasco Cordeiro,
"só importa salvar o seu futuro político".Na
resposta, o secretário regional adjunto da Presidência, Berto Messias,
sublinhou que Vasco Cordeiro estará na próxima semana em sede de
comissão de inquérito a responder a "todas as perguntas" que os partidos
entendam fazer sobre o processo.Já
Francisco César, deputado do PS, garantiu o compromisso socialista de
"não deixar cair a SATA", procurando um "processo de alienação que
funcione"."Sabemos o que queremos com a SATA, algo que não se pode dizer do PSD", disse.Pelo
CDS-PP, o deputado Artur Lima acusou o executivo de "permitir que a
SATA seja administrada por telecomando", criticando o parlamentar a
escolha de alguns quadros da empresa, nomeadamente o seu presidente do
conselho da administração.Paulo
Estêvão, deputado único do PPM, considerou que a SATA "é uma espécie de
Vietname para o Governo Regional", a "exteriorização do fracasso" da
governação socialista.Pelo
Bloco de Esquerda, o deputado Paulo Mendes escusou-se a entrar no
debate sobre "quem privatiza melhor", questionando antes a quem serviu
"um processo tão mal organizado, tão mal planeado" como o primeiro
concurso de privatização da Azores Airlines.No
começo de novembro, o concurso para a privatização de 49% da Azores
Airlines foi anulado após a divulgação de documentos que causaram um
"sério dano ao grupo SATA e aos Açores", anunciou então o Governo dos
Açores.Em nota
de imprensa, o Governo dos Açores dizia na ocasião que "decidiu dar
orientações ao conselho de administração do grupo SATA para anular o
presente concurso público de privatização de 49% do capital social da
Azores Airlines e preparar o lançamento de um novo concurso com o mesmo
objetivo".Em
causa estão notícias que citavam documentos privados da comissão de
inquérito do parlamento açoriano ao setor empresarial público,
indicando, por exemplo, que não havia uma proposta formal apresentada
pelos islandeses da Icelandair, única entidade qualificada para a
segunda fase da alienação, antes o intuito de abrir um período de
negociações com a SATA.O
presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, mostrou-se à época
dececionado com a divulgação de informação "confidencial" em torno do
processo de alienação de 49% da Azores Airlines, frisando que este "é um
caso de polícia".