Oportunidades profissionais em Portugal “nunca foram tantas”
27 de dez. de 2022, 18:56
— Lusa/AO Online
A
governante participou na décima edição do Fórum GraPe (graduados
portugueses no estrangeiro), que decorreu online, e discutiu as
motivações que levam a um regresso, ou a querer continuar no país do
acolhimento.“Nós estamos atualmente com um
problema, se calhar não vamos ter pessoas qualificadas para todos os
projetos que vamos ter em mãos. (…) Há uma série de iniciativas que o
governo coloca à disposição, mas por concurso”, sublinhou Elvira
Fortunato.A ministra da Ciência e
Tecnologia realçou que todos os investigadores estão “convidados a
regressar”, com Portugal a oferecer instrumentos, através das
instituições do ensino superior, dos centros de investigação ou dos
laboratórios colaborativos.“Obviamente que
são todos bem-vindos, mas não há nenhuma quota específica. Isso é feito
por concurso e a contratação é feita com base nos currículos e
experiência profissional”, adiantou.Para a
investigadora e musicóloga Inês Thomas Almeida, há uma “imensa
precariedade na investigação". Depois de viver 13 anos na Alemanha,
admitiu que, no seu caso, foi a família que a fez optar pelo regresso.“É
extremamente difícil para quem não tem o privilégio de ter outras
fontes de ajuda, porque há uma precariedade, não só ligada à duração dos
contratos de trabalho, mas também à dificuldade ao acesso aos contratos
de trabalho”, sublinhou, acrescentando que os investigadores não estão
“nem protegidos, nem amparados.”A ministra da Ciência e Tecnologia realçou que “só é possível comparar aquilo que é comparável”.“Se
olharmos para o Produto Interno Bruto [PIB] português, nada tem a ver
com o PIB do Reino Unido. (…) Noutros países há mais bolsas, há mais
investimento em ciência porque há mais orçamento na sua totalidade”,
apontou.“Nunca houve uma aposta tão grande
em investigadores como houve nos últimos anos. Falar em precariedade
penso que não é o termo mais correto. Houve sim falta de investimento em
laboratórios, infraestruturas e equipamentos. Isso sim”, rematou Elvira
Fortunato.Já para Ana Antunes, chefe de
relações internacionais e eventos científicos da Mabdesign, uma
associação do setor industrial francês de biomedicamentos, Portugal tem
de estar preparado para os “nómadas digitais” que existem cada vez mais
no país.“É uma realidade que veio com a
pandemia e vai continuar. É importante que haja um esclarecimento sobre
os deveres e direitos dos trabalhadores que têm contratos lá fora, e não
só em Portugal. A outra dificuldade é a nível administrativo e fiscal
(…) Nem sempre é fácil aceder à informação”, apontou, acrescentando
também as diferenças no sistema de saúde.Ricardo
Henriques, diretor de laboratório de investigação no Instituto
Gulbenkian Ciência, realçou a comunidade científica “amigável e
extremamente competente” existente em Portugal, país onde se faz “muito
boa ciência, com muito pouco suporte”.O
Fórum GraPE nasceu em 2012, por iniciativa da PAPS (Portuguese American
Postgraduate Society) e da PARSUK (Portuguese Association of Students
and Researchers in the UK), às quais se juntaram a AGRAFr (Associação
dos Graduados Portugueses em França), a ASPPA (Associação de
Pós-Graduados Portugueses na Alemanha), a APEI-Benelux (Associação
Portuguesa de Estudantes e Investigadores na Bélgica, Holanda e
Luxemburgo), a AGRAPS (Associação de Portugueses Graduados na Suiça) e
a SPOT Nordic (Associação de Portugueses Graduados nos Países
Nórdicos).